sábado, 18 de fevereiro de 2017

Reversi, Entre Especialistas e Especiais



Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Na minha postagem sobre a disseminação do jogo Reversi, que fiz em dezembro de 2015 eu propus a iniciativa de marketing agressivo, que na verdade já era algo praticado em todas as prefeituras do Brasil que divulgam esportes, mas eu sabia que se a coisa toda teria que fluir, seria dessa forma e não de outra, como por exemplo, a proposta de patrocínio empresarial que seria magnífica porém, pela falta de interesse de empresas que trabalham com jogos de tabuleiro ficaria inviável conseguir algum tipo de incentivo. Pois bem, ao menos com as prefeituras de Nova Odessa e toda a região, o negócio todo vingou e foi um sucesso. Então, qual a próxima etapa? Obviamente se alastrar para todo o país; já se tem uma ideia de um divulgador em Campos dos Goytacazes no Rio de Janeiro, que seria o Alamir Jr. e quem sabe até mesmo no nordeste, com Martinho Santos, lá em Penedo no Estado de Alagoas, e com o tempo teremos outros Estados participando de toda essa empreitada, isso tudo virá naturalmente, desde que haja paixão na divulgação.

Quando em abril de 2009 eu resolvi criar esse blog, meu intuito inicial era justamente querer tirar as pessoas aqui no Brasil dessa inércia desinformativa, onde permeava a ideia do Reversi online, e apenas esse sentido era interpretado por todos que jogavam o jogo, o cenário imaginativo era limitado, estreito e com poucas influências, então resolvi fazer minha parte e mostrar a todos que também havia um mundo real onde as pessoas poderiam jogar, sociabilizar e aprender mais sobre o jogo, havia um mundo de tabuleiros e pessoas reais. Mas sinceramente quando resolvi fazer trocentas postagens sobre um só assunto, o fiz por prazer e por hobby, e durante muito tempo nem sequer haviam comentários nos meus posts, e eu não ligava ao ponto de querer parar, o motor da minha construção era somente o amor que eu tinha ao jogo, e a minha vontade inerente de ensinar. Tão somente isso já era necessário.

Eu me sinto gratificado quando vira e mexe aparece alguém fazendo perguntas ou simplesmente usando alguma postagem minha para fazer algum tipo de trabalho escolar, (sim, a galera de TI gosta das minhas postagens sobre Inteligência Artificial aplicada a construção de programas de Reversi, mesmo que eu seja um completo leigo no assunto) isso pessoalmente já é um prêmio que eu aprecio muito, e como eu disse antes, faço por amor e hobby e isso já basta. Mas talvez alguém pergunte: E se você ganhasse financeiramente pelo seu trabalho no blog, você gostaria? A resposta para isso obviamente que é sim, e inclusive já até pensei nisso, mas como esse tema (Othello/Reversi) não é um tema que atrairia muita gente, e eu não gostaria de transformar o meu ritmo de postagens em uma programática, eu nem precisei de mais de 2 minutos para descartar a ideia, prefiro do jeito que está agora mesmo, gratuito e livre.

Bom, então com o surgimento do facebook com  força total aqui no Brasil, eu deixei um pouco o blog de lado e me dediquei a postar informações nos grupos do Face., era mais prático e a informação chegava a mais gente, e foi assim durante um bom tempo, até que esfriou também, vi que nem todo mundo que estava no grupo realmente participava do mesmo (Por que “participar” de um grupo onde ficam até oito meses sem ver publicações? #desinteresse) Então resolvi parar a divulgação em alguns desses grupos, me foquei no Whatsapp (droga) e eu sinceramente não imaginava que grupos de Whats poderiam ser tão fúteis para qualquer coisa que você pense, de inicio até que todos interagem bem, depois vira baderna e fogem completamente ao assunto, por isso já sai de uns dois grupos e desativei uns dois meus também, pois bem... A saga continua. Até mesmo antes do Whatsapp, eu já havia começado a fazer vídeos para o Youtube, isso lá para outubro de 2014, e o canal está lá até hoje com seus 50 vídeos! Ensinei estratégias e seus nomes, divulguei campeonatos e os expliquei, divulguei livros e até fiz três vídeos dedicados a analises de estratégias do livro de Brian Rose, e tudo isso por amor ao jogo, e de verdade, fiz porque gosto e ponto final.
Tive que escrever toda essa “bíblia” para deixar bem claro o meu posicionamento referente ao assunto, nunca ganhei dinheiro par fazer qualquer tipo de divulgação, e sinceramente não preciso, mas... Lembram daquela perguntinha lá em cima? Pois é, vou reformular ela a um contexto geral, lá vai: Você gostaria de ganhar pelo seu “trabalho”, gostaria de trabalhar com isso e viver disso? Sim, eu gostaria. Quem não gostaria de trabalhar com o que gosta? Para quem tem algum tipo de dificuldade de abstração ou até mesmo porque eu não esteja sendo claro exatamente, explico. Muita molecada, talvez não mais nos dias de hoje, mas na minha época era normal em qualquer lugar que você fosse, ver crianças e adolescentes jogando bola na rua, bola de plasticão mesmo, bola de capotão, ou bola de meia, com certeza alguns deles devem até mesmo ter tentado entrar numa escolinha, ou tentado a sorte de treinar num clube grande, passando por todos os tipos de peneiras que existiam, e com certeza somente um séquito conseguiu isso, uma quantidade pífia que em porcentagens deveria e é cerca de uns 5% dos que tentam e tentaram, mas aos que não conseguiram passar no teste, você acha mesmo que eles deixaram de gostar de jogar futebol? É claro que não! Eles gostam ainda, e muitos viraram os tais “tiozinhos das peladas de final de semana” que com certeza terá alguns exemplares ai perto de você nesse exato momento. Esportes tradicionais como Futebol, Vôlei, Basquete e Handebol por exemplo, têm boas estruturas, e consequentemente federações, e confederações que lhe representam e pagam os atletas devido ao incentivo massivo do governo e patrocínio empresarial. Mas os atletas jogam somente por dinheiro? Você realmente acha isso? Quiçá hajam mercenários no meio, aqueles que realmente jogam por dinheiro e nada mais, ainda assim a maioria esmagadora dos jogadores de qualquer esporte o fazem por paixão, que claramente por acabar se tornando o seu ganha pão, vêm com todos os probleminhas encaixotados que tem em qualquer profissão que você queira traçar, mas que mesmo assim, ainda deve ser o sonho realizado desses jogadores, pois todos trabalham com o que gostam de fazer. Lembro de uma entrevista do Oscar Schmidt, onde ele disse certa vez que se sentia gratificado, (não exatamente essa palavra) por poder fazer o que gosta e ainda ser pago por isso. O que o veterano jogador de Basquete disse, acaba por representar quase todos os esportistas do mundo em qualquer modalidade em que você possa imaginar, (também representa alguns empresários que trabalham com aquilo que gostam e etc.)  e não seria diferente para jogadores de jogos de tabuleiro também.

Qual é o jogo de tabuleiro mais famoso ao menos aqui no ocidente?

Sim, é o Xadrez. Eu gosto de usar esse jogo como exemplo de quase tudo, por ser um jogo bem sucedido em todos os quesitos que se possa imaginar, comércio, mídia, livros, artistas, filmes, desenhos animados, divulgação científica, guerra fria e em tudo mais que você possa imaginar esse jogo já botou “os pés”, então é mister falar que se tem um esporte intelectual onde existem jogadores assalariados, esse esporte seria o ápice, mas mesmo assim está longe de ter um salário justo a profissão, eu tinha lido uma entrevista com o Rafael Leitão (na época pentacampeão brasileiro, hoje é heptacampeão brasileiro de Xadrez) e reli novamente hoje, onde ele disse que o sonho de viver apenas do Xadrez aqui no Brasil era algo longe de ser alcançado pela falta de apoio do governo, no caso dele ele vivia de aulas e viagens a competições fora do Brasil, tão somente assim ele poderia alcançar alguma coisa justa, um salário justo. Então daí já temos uma breve ideia de que se é assim com o Xadrez, que não duvido estar diferente nos dias de hoje, imagina com os outros jogos? Isso tudo talvez se deva ao fato do lance de “economia”  adotada por diversas prefeituras. Em uma pesquisa recente sobre professores de Xadrez, me deparei com o pronunciamento de Luiz Antônio Leite, presidente do Clube de Xadrez de Belo Horizonte, referente a falta de apoio da prefeitura de sua cidade, onde ele disse que o problema de quem conhece o jogo, sabe jogar e ensinar o jogo de verdade é que as prefeituras em geral preferem dar o título de professor de Xadrez a quem já está na lista de pagamentos da mesma, como por exemplo um professor de matemática. Então quem acaba dando aula de Xadrez não é o cara que entende do jogo, e sim alguém que não tem intimidade alguma com o mesmo. Como disse Luiz Antônio Leite: “ Saber jogar Xadrez, não é a mesma coisa de saber ensinar Xadrez” afirma. E isso também se aplicaria a qualquer jogo que você possa imaginar, e o jogo Reversi está nessa lista. Ainda nessa mesma reportagem ele disse que teve sim uma união entre o governo do Estado de Minas Gerais, e o Clube de Xadrez de Belo Horizonte, onde promoveram um curso de 250 horas/aula e cadastrou e capacitou alguns instrutores de Xadrez, mas como as escolas ligadas a prefeitura não exigem esse curso, o curso em si acaba por se tornar algo inútil.

Então em suma, temos aqui o entrave insípido, que é a questão do apoio incompleto das prefeituras. Entendo que ao menos no caso do jogo Reversi, sem elas as coisas por aqui não teriam chegado tão cedo aonde chegou,  porém essa barreira poderia ser quebrada, pois sabemos que é quase impossível apenas um professor, bom e especialista em apenas um jogo, conhecer com o mesmo afinco todos os jogos que ministra, o correto no meu modo de ver, seria primeiramente a valorização da secretaria de esportes, evitando qualquer corte em investimentos das mesmas e se investindo mais nelas, para que tivessem meios de trabalhar com conhecedores e especialistas dos jogos e esportes ensinados. E sim, assalariando por exemplo, um professor de Xadrez que seja verdadeiramente um especialista e estudioso do jogo, não o professor de Geografia que por acaso foi convocado a dar aulas de Xadrez como uma espécie de tapa buracos. Voltando ao assunto, como eu disse acima, faço o que faço por amor ao jogo, mas se eu pudesse ganhar para fazer o que eu gosto por que não aceitaria? E em relação ao jogo Reversi, existem alguns especialistas e gente com vontade de ensinar que também aceitariam o convite numa boa. Espero que futuramente haja uma união integral entre prefeituras e FBO, para que possamos realmente ensinar de verdade e formar campeões, que para “nascerem”, precisam primeiramente gostar de verdade do jogo, (leiam minha última postagem no blog, está logo abaixo dessa) e uma vez tendo ajuda especializada, tenderão a progredirem de maneira rápida, uma união integral entre as duas entidades, governamental e lúdica formará uma “sopa pré-biótica” que germinará em algo realmente sólido. O jogo Reversi, assim como todos os jogos, são suficientes por si só, todos os jogos podem ser usados como ferramentas para algo, como por exemplo: Estimulador de experimentação lúdica, para através de um jogo específico, a pessoas acabem se interessando por outros jogos, e por todo o mundo dos jogos de tabuleiro, ou até mesmo pode ser usado para testes clínicos como já li certa vez (Usaram o jogo Reversi em um teste “anedótico” de exame e funcionamento do cérebro de crianças com a Síndrome de Déficit de Atenção, constatando que o jogo melhora a memória de trabalho dos portadores desse transtorno) ou seja, o jogo pode até ser usado para outros fins, mas se você quiser fazer algo despertar na mente de uma criança ou adulto, referente o jogo Reversi, você tem que fazê-lo sentir a essência DESSE JOGO, não apenas o usando como ponte para algo, mas como parte fundamental de um todo, jogar Reversi é bom porque é incrível, não porque é o mais fácil. Com essa mentalidade, poderemos formar verdadeiros campeões de Othello no futuro, com a junção do querer aprender e do poder ensinar, teremos maiores progressos no aspecto qualificativo, e não somente no quantitativo.

Vou ficando por aqui, e até mais.

Alguns links:

Como vive o maior enxadrista do Brasil?

http://www.elhombre.com.br/como-vive-o-maior-enxadrista-do-brasil/

Professor de Xadrez Busca Profissionalização

http://www.otempo.com.br/capa/economia/professor-de-xadrez-busca-profissionaliza%C3%A7%C3%A3o-1.297392

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