sábado, 11 de fevereiro de 2017

E ai, como anda a sua técnica?



E ai, como anda a sua técnica?


Já tem um tempo em que venho observando a evolução de jogadores novatos e antigos, e por mais que a grande maioria evolua, não importando se pouco ou muito, um fato é percebido: Há evolução. Porém, tem aqueles que a palavra evolução parece desaparecer gradualmente com o tempo, até não restar absolutamente nada. E é sobre estes que eu vou discorrer aqui nessa postagem, que não tem o intuito de depreciar os talentos ou a falta de tato para algum jogo específico de ninguém, mas sim, questionar se tais jogadores estão verdadeiramente “jogando” ou apenas clicando o mouse do computador, essa postagem indaga se alguns jogadores verdadeiramente gostam do jogo Reversi, e de toda a sua nuance estratégica ou se apenas não encontraram nada melhor como válvula de escape, algo para poder passar o tempo, e nada mais. Se você é um jogador que joga Reversi por jogar, e não tem interesse em aprender nada sobre o jogo, e que usa o jogo como um artifício elaborado de relaxamento, ok... É um direito seu, e ninguém tem nada a ver com isso; mas se você verdadeiramente gosta do jogo e tenta melhorar, e não consegue evoluir para um grau satisfatório, talvez essa postagem seja para você.

Como vocês já perceberam, irei me focar nos jogadores virtuais, por oferecerem maior alcance de análise, e de maior empírica. Mas antes de mais nada, vou começar falando de mim, e de como o processo de aprendizado emergiu aos poucos dentro de minha mente e de como ainda borbulha algo a cada dia. Eu conheci o jogo num celular antigo da LG, e curiosamente já o conheci com o nome patenteado Othello, coisa rara de se imaginar, pois até mesmo nos dias de hoje com toda a divulgação e emaranhado de apps para se baixar no Android e IOS, o nome mais utilizado é ainda “Reversi”, por mais que tenham alguns “Othello” os programadores preferem evitar problemas e usar o nome mais genérico, então foi algo hilário eu ter conhecido logo na primeira oportunidade o jogo com o nome mais comercializado. Pois bem, peguei o celular e na função 9, que era destinado a jogos, encontrei o único jogo que lá tinha, e com uma imagem personalizada que aparecia de um lápis vermelho (menino) e um lápis amarelo (menina), antes de começar a partida, eu não fazia ideia do que me esperava, e foi então que o jogo começou. Eu não lembro quanto tempo demorei a entender o que tinha que fazer, mas me lembro claramente que depois de jogar algumas, eu achei que o fundo da tela de jogo, onde uma das imagens que aparecia era justamente os Moinhos de Vento da Holanda, tinha algo a ver com o jogo, ideia que logo após se mostrou nonsense. Mas joguei, joguei e joguei, e cheguei à conclusão sozinho que o canto por algum motivo era importante, depois bolei estratégias para não perder o canto, e outras para tentar pegar o canto, coisa da qual fazia chiar o meu cérebro, lembro que comecei desafiando vizinhos a jogar comigo, e depois de um tempo quando vi que não evoluía e perdia costumeiramente para o celular, abandonei o jogo por uns 2 anos, e quando voltei já foi jogando no Flyordie, onde aprendi algumas técnicas, e toda hora eu ia lá na comunidade do Orkut “Othello/Reversi”, onde eu lia o que falavam sobre estratégia ou livros, além de sempre me encantar com o tabuleiro da Grow que usavam como imagem do grupo, isso tudo em 2006, 2007 e 2008, que foi quando eu imprimi toda a metade final do livro do Brian Rose e comecei a ler e a treinar, sozinho mais focado, além de estar sempre jogando, além de tentar imitar jogadas de programas, e foi assim que a coisa toda foi sendo absorvida por mim, e até hoje eu treino e jogo, e posso dizer que aprendi muito a jogar esse jogo, e ainda descubro nuances novas. Mas se engana quem acha que evolução está ligada somente em quantidade de partidas jogadas, leitura ou quantos vídeos sobre o jogo já assistiu, evolução tem um algo mais, ou... Alguns “algo a mais”, que é o ponto onde eu queria chegar.

Existe um jogador lá no Flyordie, que acredito usar dois nicks, tenho lá minhas dúvidas se são ou não a mesma pessoa, mas tendo a um grau confortável a dizer que sim, é a mesma pessoa. Então, para facilitar, desse ponto em diante, vou tratar os dois nicks como sendo oficiais a um só individuo, para não causar confusões. O jogador em pauta,  já jogou mais de 30 mil partidas com um nick e mais de 27 mil partidas com o outro nick!  O que daria mais de 57 mil partidas jogadas! Se você parar para pensar bem, é um número assustador. Porém, o nível do jogador em questão, que joga com um dos nicks desde 2006 é vergonhosamente irrisório, não há evolução alguma, além de ser uma personalidade ignara, que costuma falar palavrões na primeira oportunidade que tem; o que me leva a outra questão (não exatamente pelos palavrões, eu também falo às vezes), mas pela falta de sensibilidade com as coisas ao seu redor, que denota uma falta grave de faculdades intelectuais, que em outras palavras, é o que chamamos de “pessoa ignorante”, não há como falarmos, ao menos dentro da esfera intelectual,  que somos todos iguais, pois definitivamente, não somos. Por outro lado, há aqueles que buscam o conhecimento não exatamente jogando, mas apenas lendo e vendo vídeos sobre o lado teórico do jogo, esses eu posso chamar de pessoas inteligentes, mas estes têm ainda uma dificuldade imensurável de transportar o lado teórico para o prático, muitas vezes se perdem em conceitos que não são somente para serem falados, e sim sentidos durante o jogo, Reversi é um jogo que precisa ser sentido, você precisa ter o “timming”, ou você acabará explicando como o coração bombeia o sangue e os nomes de todas as artérias que o envolvem, quando alguém simplesmente lhe perguntar: “O que faço, estou com uma tristeza no ‘coração?’” Ou seja, você nunca entenderá a essência da coisa, e começará a enxergar e a papagaiar “tecniquês” pra lá e pra cá, sem saber colocar nada daquilo em prática, então logo concluo que não é somente esse o caminho.

Para jogar bem não basta apenas ler, ver vídeos e jogar mais de 60 mil partidas durante um longo tempo, pois existe um outro ingrediente dentro dessa história, que está intrinsecamente ligada com sua psique, não acho que seja algo que venha do lado consciente do cérebro, mas de um conjunto  que escapa a suas decisões racionais, que é o “gostar”, pois se eu pudesse escolher ser bom em um jogo, eu com certeza escolheria o Xadrez, mas eu não gosto assim tanto desse jogo, apesar de achar a história em sua volta fascinante, e ser algo realmente deslumbrante ver os grandes gênios enxadristas jogarem, mas não é a minha praia. Eu poderia escolher ser bom em Damas, mas eu nunca gostei de jogar Damas, nunca fui bom nisso, ou eu poderia escolher ser bom em Dominó, Pôker ou qualquer uma das modalidades do Baralhão (Seis! Seis!) a parte do número seis ai é o que eu ouvia quando via aqueles tiozinhos jogando por ai, não sei até hoje do que se trata, apesar de já terem me explicado há um tempo, esqueci. Mas não, eu não sei nada ou quase nada sobre esses jogos populares, mas eu queria gostar de jogar qualquer um desses, e ser bom, mas o jogo que eu gosto é o Reversi, e sendo popular ou não, lá estou eu jogando. Mas por que isso? Agora atente muito para o que eu vou escrever aqui, sabe por que eu jogo Reversi e treino Reversi e outro jogo não? Porque foi o jogo quem me escolheu, não fui eu que escolhi o jogo. Cada jogo tem suas características particulares, que atiçam algo em sua mente e o chama para a vontade de jogar ou não, quando você vê já está prezo ao jogo, e todo o mecanismo de recompensa disparada por estímulos em seu cérebro já fica acesa, então temos aqui um ingrediente importantíssimo para ser bom em qualquer jogo que você venha a jogar em sua vida, o “gostar” do jogo.

E como saber se você gosta ou não de um jogo?

Bom, quando você está jogando um determinado jogo sente alguma alteração de emoção intensa quando vence? Algo como desafio superado,  algo como mais uma etapa vencida e o sentimento de dever cumprido? Quando você vê, percebe que está a mais de uma hora jogando o mesmo jogo e fica chateado quando perde e hiper feliz quando vence? Você quer sempre saber mais sobre o jogo, seja sozinho ou lendo e vendo vídeos? (Essa última característica é um Non sequitur, ou seja, não necessariamente uma pessoa que goste muito do jogo, queira estudar algo sobre ele.) Se você tem todas ou somente algumas, mas bem vivenciadas dessas características comportamentais em relação a um jogo, é bem provável e falo com uma certa segurança, que você goste do jogo. Então uma vez que descobriste sua paixão lúdica, estará livre para o desenvolvimento natural, sem engodos ou necessidades de estímulos externos como muleta, somente absorverá o necessário para caminhar por conta própria, que é exatamente o que não acontece quando você descobre que joga determinado jogo tão somente por jogar, ou somente como método profissional ou ferramenta profissional. Nesses casos o desenvolvimento será tecido com muitos buracos na renda, com pouca destreza, e a uma velocidade pusilânime, até estacar.

O jogo e o prazer que sentimos o jogando nascem naturalmente, não decidimos exatamente gostar de algo, simplesmente gostamos e ponto final. Consequentemente o amadurecimento decorrente da prática também virá, e quando notar, estará jogando muito melhor do que estava um ano antes, ou dois anos antes e assim consecutivamente. Se realmente gosta do jogo Reversi, tenha calma e continue jogando e praticando que a técnica virá com o tempo naturalmente, mas se percebe que o jogo não se encaixa em suas preferências pessoais, e que você talvez jogue uma, duas ou nenhuma vez durante uma semana, jogando talvez umas 4 ou 5 vezes por mês, realmente você dificilmente não será um bom jogador(a), e a não ser que realmente não tenha achado outro jogo melhor para jogar, ao menos entenda suas dificuldades de aprendizado no Reversi, e tente melhorar ou aceitar suas limitações. Que a propósito foi o que o jogador citado logo no início desse post, com suas mais de 57 mil partidas mal jogadas fez, aceitou que é incapaz de aprender a jogar, e rechaça com todas as forças qualquer dica que lhe dê sobre estratégia, lembro uma vez que o convidei para participar do nosso grupo no Facebook ou no Whatsapp, já não me lembro, e ele literalmente me respondeu com um belíssimo palavrão com a tecla Capslock apertada!  Oh céus... Realmente vejo que com algumas exceções, o nível de abstração racional de alguns jogadores de Reversi, é intrinsecamente ligado ao nível de empatia, educação e sociabilização do individuo (não quero aqui dizer que pessoas pouco comunicativas sejam fadadas ao fracasso nesse jogo, pois eu posso ser “caladão”, mas tenho empatia) Ao menos usando o site Flyordie como ferramenta empírica, noto que os melhores jogadores brasileiros (isso também se aplica aos estrangeiros e com as mesmas exceções, com ressalva aos programeiros, que têm uma alta pontuação e baixa empatia, pois são trapaceiros) que ali estiveram desde 2006, eram de alguma forma simpáticos, e/ou comunicativos, e a grande maioria tinham empatia e educação com os pares, em contrapartida, os piores jogadores brasileiros eram (e são) invariavelmente mal educados, falastrões e ofendem de maneira gratuita qualquer um que se aproximavam e se aproximam deles, sem falar dos que nunca respondem absolutamente nada, os que são totalmente indiferentes aos demais. Mas  atenção ao que eu vou dizer: Estou me referindo a jogadores que já entraram no automático, que jogam por jogar e são viciados em virar as bolinhas brancas em pretas e vice e versa, NÃO ME REFIRO a quem está aprendendo ou tentando aprender esse jogo há pouco tempo, um ou dois anos, e que ainda não descobriu se esse jogo é ou não a sua praia, NESSES casos os jogadores podem não jogar bem ainda, e mesmo assim serem pessoas agradabilíssimas e com um nível de educação do qual eu pessoalmente demorarei muito ainda a atingir, essas pessoas que estão aprendendo agora, dos quais eu pude conhecer, quase 100% são pessoas do qual eu tenho um bom apreço e respeito. O que é bem diferente aos jogadores com 8, 9, 10 anos ou mais de “prática” e que não aprendeu nada ainda, por alguma barreira cognitiva, que é a que eu noto quando vejo uma lista infindável de brasileiros (e portugueses) que pude analisar.

É isso pessoal, eu vou ficando por aqui, e faça essa pergunta a si mesmo: “Eu gosto mesmo de jogar Reversi, ou é apenas um passa-tempo qualquer que eu jogo?” Se sua resposta for sim, eu gosto de jogar Reversi, fique calmo(a) que a técnica irá vir com o tempo, mas se não, você não gosta tanto assim de jogar Reversi, a sua técnica poderá até vir um dia, mas isso poderá demorar muito tempo.

Obrigado e abraços a todos.

Até

2 comentários:

Halan Davys disse...

Ótima postagem meu amigo. Vc falou exatamente o que penso sobre o jogo e sobre os jogadores. Ah e quero participar do grupo de whatsapp. 92992754086 Halan davys

Fabrício disse...

Opa, Obrigado Halan.

Estou sem grupo agora, mas vou te adicionar no Whats, e assim que eu montar mais um grupo te incluo nele.

Abraços