terça-feira, 13 de junho de 2017

O Resumo da História do Othello e Reversi no Brasil




Estávamos nos anos de 1980 quando a empresa brasileira com maior renome no âmbito nacional, Grow, lança o abstrato e dinâmico jogo “Einstein” que nada mais era do que o nosso já famigerado Reversi e, dava início a uma aventura que está a ser contada ainda nos dias de hoje, a história do Reversi e Othello no Brasil.


Nostálgicos e coloridos anos ’80 que traziam consigo além dos Menudos, Pogobol, Genius e Lango Lango, um contingente de jogos eletrônicos (e não só me refiro aos mini-games e Tetris) com os videogames, Atari,Nintendo, Sega e seus genéricos, a princípio houve uma queda no apreço da população em geral pelos jogos de tabuleiros, nessa época já há muito tempo jogos como Monopoly (Banco Imobiliário como era conhecido aqui no Brasil) e War eram bem conhecidos em terras tupiniquins, sem contar também que apesar de não fazer a menor ideia de como se jogava, o “Jogo da Onça” jogo esse praticado desde tribos indígenas como a Manchineri no Acre à Guarani em São Paulo, ficou bem conhecido nos círculos culturais daqueles que tinham um certo apreço pela cultura indígena brasileira. Mas voltando ao que os anos de 1980 pediam, como competir com a praticidade e modernidade e “descolagem” dos jogos eletrônicos? O problema dessa questão não era nacional, era um problema em escala mundial, mas que no caso do Brasil, para piorar jazia ainda uma quase inerte e mofada concepção em torno do que seriam os jogos de tabuleiros, era hora de inovar, arriscar para primeiramente arrancar ideias antigas como as cinquentistas, sessentistas e setentistas e modernizar, dinâmicas e panorâmicas diferentes seriam mais que uma necessidade. Na década das cores e arranjos modernos, jogar com os amigos agora não seria pura e simplesmente formar um campo de batalha onde os “exércitos” se atacavam em prol de um conquista, ou tentar fazer uma ação de planejamento econômico como pedia o Banco Imobiliário e tão pouco simplesmente montar uma roda de Dominó ou Baralho, jogos com um dinamismo diferente marcariam sua chegada e total ascensão dentro do mercado brasileiro, onde aparentemente o gosto por novos jogos, aos lúdicos e fiéis aos boardgames clamavam, uma vez que boa parte desses jogos “descolados” eram quase todos, se não todos, importados; um novo nicho nascia ali e os visionários sócios da Mooca em São Paulo, sabiam que dentre os jogos mais bem aceitos pelos consumidores europeus, dentre muitos outros é claro, estava o nosso jogo. Mas ai você me pergunta: Desde quando Reversi é um jogo moderno? Logicamente que eu sei que esse jogo já era jogado na época dos dinossauros, lá na Inglaterra vitoriana do Sherlock Holmes e tal, mas o “Reversi” que me refiro é aquele que mesmo se chamando “Reversi”, usa as regras do “Othello” em sua estrutura, e o Othello é sim, um jogo moderno, e mais moderno ainda nos anos de 1980, pois foi reinventado em 1971 por Goro Hasegawa, conto essa história mais adiante... Então voltando aqui comigo na linha de raciocínio... Sabendo ou não, se a chegada dos jogos eletrônicos em computadores pessoais e videogames, de início abalariam um pouco o universo dos jogos presenciais, por outro lado eles de certa forma ajudaram como uma ponte publicitária daquilo que as pessoas também poderiam jogar fora dos videogames e computadores e, aposto com vocês que os empresários não acharam nada ruim, quando esses consoles dispararam a esmo uma miríade de versões diversas de “Othellos” e Reversis, tais como a Atari 2600 em 1980, que, diga-se de passagem, ainda lançaria uma nova versão de Reversi para o seu computador pessoal Atari ST em 1988, a Nintendo com sua versão “Othello” para NES também em 1988 e, claro, a Microsoft com sua própria versão em 1985, no Windows 1.0. Algumas pessoas tiveram o seu primeiro contato com o jogo assim, na forma digital, quem teve qualquer um desses videogames (ou computador) na época, teve a possibilidade de conhecer uma das versões do Reversi, eu mesmo ganhei um Atari 2600 em 1990 no meu aniversário de 10 anos, tinha 32 jogos na memória, mas não tinha o Reversi, infelizmente, o que me levaria a ter conhecido esse jogo muito tempo antes. Tivemos o lançamento do “Reversi Para Internet” com achegada no Windows XP, que viria a ser o passa tempo favorito, junto ao “Paciência”, daqueles que tinham um computador com esse sistema operacional  em casa (eu por exemplo) que também ajudou a espalhar ainda mais a ideia do conceito do que era o jogo, coisa da qual que inegavelmente influenciou de alguma forma na aceitação dos tabuleiros do jogo que seriam vendidos pela Grow, honestamente não posso dar um veredicto final nessa minha afirmação, não achei dados e informações na Internet que conciliassem jogos virtuais + jogos de tabuleiros, quanto a influência de um no resultado comercial do outro, mas, não seria difícil de acreditar que ambos se influenciam de certa forma, eu mesmo descobri o jogo em um mero aplicativo instalado de fábrica num celular LG antigo, de 2004, que me fez despertar para o mundo real daquele jogo, e gastasse dinheiro com tabuleiros do gênero. E é justamente por isso, que se quero falar da história do Othello e Reversi no Brasil, é imprescindível falar também, da ação digital deixada como marca definidora nos anos de 1980. O Einstein da Grow era a forma real compilada em uma placa de plástico do jogo de videogame que todos viam passar no comercial de TV e, com a vantagem de ser jogador sem a necessidade de um videogame, televisor, computador ou de energia elétrica de fato. Falar sobre a revolução que os games digitais causaram nessa época e, falar de uma “guerra armamentista” das empresas de videogames nessa época, é falar de um empreendimento que nos rendeu grandes frutos, mas deveras, é uma história muito longa e técnica que eu não pretendo e nem tenho gabarito para discorrer aqui, voltemos com a saga do mundo real então.

Então, voltando ao mundo real dos tabuleiros, não passa muito tempo, e a empresa tenta mais uma vez inovar, convergindo ao título original do jogo inventado pelos londrinos Wallet e Mollett, o vitoriano “Reversi”, e é exatamente isso que vocês leram ai, o nome do jogo passava de “Einstein” para “Reversi”, (não confundir com o outro Reversi da Grow, que era totalmente diferente mas que também se chamava Reversi, e foi lançado em 1981) era o mesmo jogo, a estrutura do jogo original tupiniquim continuava a mesma, mas um pouco mais puxado ao modelo americano comercializado pela  empresa Whitman e, decidiram que as cores do tabuleiro seria na cor preta e peças bicolores que se revezavam em azul e branco. Obviamente que a empresa não dependia somente de Reversi para sobreviver, jogos como Risk, Diplomacia e Can-Can eram um sucesso absoluto na época, sem contar os inúmeros quebra-cabeças que a empresa lançou em seu limiar. Alguns dos jogos depois de alguns anos após o lançamento perdiam um pouco o brilho, e o comércio esmorecia, dando margem a novos lançamentos que dessem uma engrenada nos lucros, e os jogos do qual não se auto-sustentavam após os empurrões  publicitário cessavam, acabavam engavetados e, talvez esse foi um dos motivos pelo qual até o término dos anos 80’ e 90’ ninguém ouviu falar em algum novo update growano do nosso queridíssimo Reversi, e então... Os anos passaram, e o comércio do jogo estava há tempos congelado, apenas colhendo frutos nostálgicos de uma época em que, as já adultas molecadas dos anos 80’ eram apenas moleques e jovens jogando uns joguinhos legais com os amigos e que ninguém mais se lembra exatamente o nome, mas talvez surfando nessa ideia, nessa reminiscência com fragrância de tutti-frutti ou de brinquedo novo, que mais uma vez a Grow resolveu que poderia ressuscitar esse jogo, o nosso Reversi. Sabemos que empresário é empresário, mesmo que haja paixão no empreendedorismo, não é tão somente o lance das “humanas” que predominam em um bom empreendedor ou em bons empreendedores, as exatas falam alto também e, todos sabiam o que estava escrito nas caixas de um joguinho comercializado na Europa e Estados Unidos, anúncios como “30 Milhões de cópias vendidas” é um bom chamariz não só comercial lúdico aos apreciadores de um bom jogo de tabuleiro, mas poderia ser uma mina de ouro a um bom empresário. Por isso, pensando dessa forma e sabendo que a marca Reversi não detinha todo esse poderio comercial que vinha estampada nas caixas de jogos estrangeiros, que a Grow se rende ao Othello. E os sócios engenheiros fundadores da Grow mais uma vez relançam o jogo no país, em 2004, com o nome (copyright) “Othello©”, que é o copyright mais bem-sucedido do jogo de todos os tempos, marca essa criada pelo japonês Goro Hasegawa, que viria a ser o dono e fundador da empresa Tsukuda Original, que após traçar uma parceria com o americano James Becker, dono da Anja.co, criariam um império, detentor de mais de 30 Milhões de tabuleiros de Othello vendidos em todo o mundo! Hasegawa tinha o jogo, Becker o marketing e o capital. Hasegawa ressignificou o jogo, modificando algumas regras limitadoras do jogo dos londrinos, e implantando uma nova dinâmica, escolhendo um título shakespereano (Othello: O Mouro de Veneza) para intitular sua readaptação, o nome proveniente da literatura britânica que talvez seja uma herança deixada pelo seu pai, que era um estudioso da cultura inglesa, enquanto Becker pensava em frases como: “Um minuto para aprender... Toda uma vida para ser mestre” e a coisa foi muito bem, bem até demais. E de volta ao país sul-americano, temos a Grow, que abre mão do antigo tabuleiro a-lá “Einstein” que perto ao modelo padrão dos tabuleiros mais bem-sucedidos da Europa e Estados Unidos, deixava um pouco a desejar no aspecto designe e jogabilidade e relançou o Othello no Brasil, fiel ao Othello vendido na Europa e Estados Unidos como dito acima, exatamente fiel ao modelo comercializado pela Mattel. Nessa época a Grow criou o “Circuito Brasileiro de Othello” que foi dividido em 16 etapas e que consagrou Daniel Dantas como campeão, o premiando com uma passagem para o WOC de Londres na Inglaterra, que foi um total sucesso. Só para recapitular, “Einstein, Reversi e Othello” destes apresentados pela Grow (O Reversi londrino era diferente) são exatamente o mesmo jogo, mas com esquemas de direitos autorais diferentes, o que demanda preços diferentes nas vendas e pagamentos de Royalties que seja, logicamente que marcas como “Einstein” que era uma marca própria e, “Reversi” que é uma marca de nome genérico que ninguém mais sabe quem é o dono, não detém o mesmo peso comercial que “Othello©”, e talvez por isso, que em 2006, justamente quando um importante personagem entraria em cena, Lucas Cherem que viria a ser o fundador da Federação Brasileira de Othello, a Grow anuncia o fim da comercialização do jogo no país, talvez por terem dado um passo maior do que a perna ou simplesmente por apenas desistirem de “chover no molhado” insistindo em um jogo que desde os anos 80’ nunca havia dado um lucro significativo a empresa e, com isso, finalizado o comércio desse jogo e, jogando um balde de água fria na cabeça de todos.

Um ano antes, em 2005 Lucas Cherem participava por conta própria do mundial de Reykjavick na Islândia onde teve até mesmo a possibilidade de participar de um congresso com os organizadores estrangeiros e, foi ali que ele próprio decidiu criar a FBO no ano seguinte. Tudo foi bem organizado e, com a ajuda de Roberto Iglesias, procuraram a Grow para saber como proceder no uso da marca como tema principal da federação e, foi justamente lá que viram o último vagão passar, de um trem enorme que vinha de muito longe, foi frustrante mas não impediu que a história continuasse. No mesmo ano, outra história obscura envolvendo os bastidores da Federação Mundial de Othello, a WOF, que seria referente a uma tal ajuda de custo que a própria estava oferecendo a jogadores que quisessem participar de mundiais, deixariam os idealizadores da criação da FBO cismados, história essa como encimada, que propunha que seriam eleitos “países” que teriam ajuda de cerca de 1.000.000 Reais por jogador, algo que ninguém entendeu direito e que ainda deixava de fora federações criadas naquele mesmo ano, (O Brasil por exemplo), mas de qualquer forma, a nova norma limitava o envio de jogadores patrocinados por país, às vezes três ou dois, ou até mesmo nenhum jogador seria patrocinado, na verdade foi uma norma ruim que deixou todos com uma pulga atrás da orelha, pois daria margem a falcatruas, além de arbitrariedades; uma vez que ninguém nunca soube quem decidiria os países patrocinados e quantos e por que das quantidades de jogadores escolhidos por país. Já entenderam, não é? Com essa espécie de “Bolsa Othello”, a criação da Federação Brasileira de Othello foi adiada, primeiro para não deixar a falsa impressão que a mesma foi criada por interesses escusos, e segundo como uma forma de protesto contra essas normas. Mas, mesmo depois dessas porradas burocráticas, finalmente a Federação Brasileira de Othello, em 2007 foi criada, Tully Lin criou o logo e, Guilherme estruturou um site, e o primeiro campeonato brasileiro de Othello foi realizado nesse mesmo ano, lá na famosa Ludus Luderia em São Paulo, sagrando um gringo (argentino) Daniel Olivares como o primeiro campeão brasileiro de Othello oficialmente. Nessa mesma época Adegar Alves era quem mais puxava a frente pela Internet, agregando jogadores e ajudando na realização de campeonatos online. Época essa do auge do Orkut, lá para o ano de 2006 o grupo da rede social “Othello/Reversi” detinham mais de 370 jogadores seguindo os descontraídos e informativos fóruns, foi justamente nessa mesma época que através dessa comunidade eu descobri o quão enorme poderia ser o mundo do Othello e Reversi, eu posso dizer que eu fui um dos agregados por essa avalanche causada pela criação da FBO e comunidade do Orkut.

Os anos passam sem grandes inovações ou modificações, tivemos apenas a manutenção da vitória conquistada, os campeonato aconteceram normalmente, porém sempre com números mais reduzidos, de quatro a doze participantes quando tínhamos sorte. No decorrer desses anos, lá para o ano de 2013, tivemos a empresa Ludens Spirit lançando o Reversi de novo, agora com o título “Yin-Yang”, é um simulacro do tabuleiro da Grow, porém menor e mais frágil, e com uma jogabilidade razoável. Tivemos a empresa Mitra lançando em 2012 a sua versão para o jogo na chamada "Enciclopédia de Jogos da Mitra" no formato livro-jogo, (o Reversi é um dos 36 jogos que a Mitra disponibiliza atualmente) e, utilizando o título genérico “Reversi”, com um tabuleiro resistente feito de madeira e com um designe decorativo exótico, eles firmariam uma parceria com a FBO em 2017, história essa que irei contar mais à frente. E tivemos outras pequenas empresas lançando ao seu modo alguma versão do mesmo jogo, por isso restrinjo-me a falar aqui nessa postagem, apenas de alguns, dos mais bem-sucedidos. Como eu estava dizendo, tudo mudou no ano de 2015, quando Moisés Correia Jr. da secretaria de esportes de Nova Odessa, resolveu apoiar a modalidade, realizando competições e divulgando em escolas da região, sempre em contato com os organizadores antigos, conseguiu rapidamente conquistar toda a microrregião de Campinas, e tornar o jogo Othello um dos mais jogados daqueles pedaços de chão e, em pouco tempo ser eleito o novo presidente da FBO, sucedendo Daniel Dantas, que assumira desde 2012 a presidência. Durante todo esse tempo a Grow sempre foi e continuou sendo muito solidária com os eventos ligados à marca Othello no país, durante muito tempo emprestavam seus tabuleiros para as competições disputadas na Ludus Luderia. Mas, eles não voltaram a produzir o jogo, infelizmente.

Em 2015 tivemos inúmeros encontros e divulgações em escolas, era a deixa para o que ainda estava por vir, e no ano de 2016, tivemos o primeiro campeonato paulista de Othello, disputado em Campinas tendo o próprio presidente Moisés Correia, derrotando o antigo presidente Lucas Cherem na final, e nesse mesmo ano tivemos o maior campeonato brasileiro de Othello da história do Brasil e, um dos maiores campeonatos de Othello já realizado no mundo! Com 81 participantes. Surreal, e fascinante... Esse, eu tive a felicidade de ter participado e ter ganhado. Estamos aqui em 2017, a FBO firma parceria com a Mitra, teremos tabuleiros da empresa em nossos eventos em breve, talvez no segundo semestre em Itatiba já notaremos essa união. Teremos o Panamericano de Othello em julho, e as chances são altas de mandarmos representantes a rodo para o mundial de Gent na Bélgica em outubro desse ano. Alguém ai ainda duvida do potencial de conquista desse jogo? As histórias empresariais da Grow se emendam com as aventura lúdicas de pessoas que tinham esse jogo como um hobby,e ambos foram fundamentais nessa odisséia. E agora com a força governamental de incentivo ao esporte estamos mais fortalecidos. Para um jogo que apenas começou como um jogo estranhamente chamado “Einstein”, até o patamar em que chegamos hoje, até que os tupiniquins dessa terra querida não devem nada a ninguém, levamos esse jogo muito mais alto que países da Europa que tinham saído na frente nessa corrida, com mais dinheiro, mais tempo, conhecimento e recursos, e nós os ultrapassamos. Para onde irá essa história? Convidar-te-ia comigo, se eu tivesse alguma ideia, mas só consigo imaginar.


Algumas Fontes e Complementos:



Os Primeiros Jogos de Tabuleiro da História


http://lounge.obviousmag.org/anna_anjos/2013/01/a-origem-dos-jogos-de-tabuleiro.html


Especial FBO (Federação Brasileira de Othello)

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2010/06/especial-fbo-federacao-brasileira-de.html

Reversi Online, Suas Origens, Atualidade, Futuro e suas Diferenças com o Othello

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2012/01/reversi-on-line-suas-origens-atualidade.html

A história do video game

https://herosgame.wordpress.com/2009/09/21/a-historia-do-video-game/

Nes - Othello (1988) Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=eG2MZfAmhYI

Atari ST Othello (1988) Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=EnTK0PnuhfE

Reversi Windows 1.0 Gameplay (Microsoft  1985) Youtube

https://www.youtube.com/watch?v=pOExkEPDtKk

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um ser humano pode derrotar um forte programa no Reversi?



Afinal, é possível ou não um ser humano derrotar um forte programa no Reversi?

Depois de conversar com gente que entende do ramo, desde programadores a campeões mundiais, formei um leque de caracteres que têm mais um quê de NÃO, do que de SIM nessa questão, mas que inegavelmente, carrega sinais de algumas possibilidades e truques que fariam, ou dariam momentânea vantagem a humanos nesse impasse. Então configure sua retina, ajuste suas pupilas, decodifique os caracteres alfabéticos romanos e venha comigo nessa viagem tecnológica!

Em uma postagem que fiz em 2009, intitulada: “Como um Programa Pensa”, eu abordei nomes técnicos como “Pattern-Matching” para elucidar como o engenho e a rede sináptica do cérebro humano trabalham para buscar no arquivo de memórias, imagens mentais que se assemelhassem ao “desenho” de jogo ali presente. Em prática seria o mesmíssimo método adotado pelo cérebro para reconhecer rostos humanos, para saber se aquela pessoa que passou pela calçada e nos cumprimentou é um antigo colega do colégio que não víamos há anos, ou se era nosso primo que vimos um dia antes. Nessa postagem, que teve como pilar os estudos do programador, matemático e diretor executivo da On Time Systems, Matthew L. Ginsberg, foi explicado a absurda desvantagem humana contra as máquinas no jogo Reversi, devido ao sistema de busca bruta das mesmas para a solução objetiva dos “problemas” no jogo. O método das máquinas para se jogar um jogo como o Reversi, é, dentre outros, o “Alpha – Beta Pruning”, que faz que a busca acorra através de “nós” específicos dentro da árvore de busca, garimpando junto a MiniMax, objetivos práticos e claros no melhor caminho para a vitória, algo que não da muita chance ao limitado cérebro humano, que estaria apenas a analisar “desenhos” de jogos, para junto com uma intuição, armar um ataque ou uma defesa durante o jogo, usando como pilar um objetivo a curto prazo, longe dos cálculos seriais e longínquos de uma máquina; e é claro que no endgame, a mente humana é capaz de contar corretamente o caminho da melhor vitória, por exemplo, mas estamos falando aqui de partidas inteiras, o que é muito mais difícil de fazer.

Quase quatro anos mais tarde, fiz uma outra postagem sobre o tema, “Estrutura da Inteligência Artificial no Jogo Othello” mas dessa vez utilizando como base o trabalho acadêmico de alunos da Unicamp, onde foram explicados outros pilares interessantes de um bom programa de Reversi, coisa das quais se pode ver em áreas completamente diferentes da vida humana, como planejamento social, filosofia, matemática e ética. Estes pilares seriam a Heurística e a MiniMax. Que em resumo, seriam a capacidade de um programa intitular o que é mais importante a fazer dentro das regras do jogo para formar uma boa defesa e um bom ataque. Priorizar as bordas, os cantos ou os dois? Reverter poucas peças ou o máximo possível? Tudo que envolve o planejamento está dentro da linguagem da Heurística. Na MiniMax teríamos as limitações, as regras do jogo. No caso do jogo Reversi, assim como disse o Arnaldo: “As regras são claras”, não há informações escondidas nesse jogo, as regras são as mesmas no início, no meio e no fim. Por exemplo: Duas peças pretas cercando uma peça branca, a reverte em preta, a regra será essa durante todo o jogo, não esperem mudanças. Citei até mesmo o exemplo de um jogo de dados, onde ao jogar de um lance pode mudar todo o jogo de uma forma imprevisível; o que não acontece no jogo Reversi, que mesmo que um lance de reverter de peças mude a configuração da partida, ainda assim é algo previsível, é determinístico. Esses mesmos princípios são utilizados na matemática e engenharia, por exemplo.

Enfim, essa foi só uma pequena introdução para explanar um pouco do que já foi dito aqui nesse blog sobre o tema, e para formar a base do raciocínio e investigação a seguir, com essas informações já podemos observar o quão abstrato pode ser um bom programa de Reversi, e o quanto padeceríamos tentando vencê-los, mas... Talvez isso aos meros e mortais jogadores de Othello/Reversi, mas e os campeões, o que acham disso? Antes de discorrer sobre as opiniões referente ao programa mais famoso hoje em dia, o WZebra de Gunnar Andersson, vamos voltar na história e ver o que encontramos. E pegando essa máquina do tempo, nos encontramos em Pasadena na California, nos Estados Unidos no ano de 1976, que foi justamente o ano em que o campeão mundial  Fumio Fujita do Japão, derrotou o programa IAGO, fato marcante, mas o jogador japonês tinha derrotado um bebê digital apenas, e esses bebês iriam crescer rapidamente e a coisa iria ficar brava. Em 1981 o bicampeão mundial Hiroshi Inouie, também do Japão, foi derrotado durante um campeonato entre humanos e programas, pelo programa The Moor. E como a lei de Moore é bem preditiva, sabemos que a capacidade de processamento das máquinas tendem a dobrar com o tempo e, obedecendo a esses preceitos, tendo em mãos bons programadores (obviamente que existem toneladas silíticas de programas mal programados e fracos ainda hoje) alguns desses programas com o tempo se tornariam quase imbatíveis, e foi mais ou menos isso que aconteceu durante o ano de 1997, quando desafiaram o tricampeão mundial Takeshi Murakami para um confronto contra o programa Logistello, embate esse que foi acompanhado, fotografado e arquivado para a história e, caso você busque as partidas para ver, verá que o fortíssimo jogador japonês perdeu por 6 a 0... Foi uma surra. No mesmo ano, nascia o WZebra (que na verdade surgiu dois anos antes, em 1995, mas era fraco e teve seu código fonte refeito) do sueco Gunnar Andersson, programa que já veio para ser um dos melhores softwares de Reversi da história, chegou a atingir 2650 Pontos na plataforma IOS de Igor Durdanovic, e ocupar excelentes posições em outros torneios para programas. É um programa que se bem configurado, e tendo partidas arquivadas em sua biblioteca de jogos e, que se elevado a uma profundidade de busca e com pouca ou nenhuma aleatoriedade, tornar-se quase imbatível para um ser humano, mesmo para um campeão mundial. Seu livro de aberturas tem mais de 500.000 posições, e o sistema de busca é o NegaMax e Multi Prob-Cut, só para se ter uma ideia, o NegaMax é mais potente que o Alpha-Beta Phoda por exemplo. Bom, tendo isso em mãos, será mesmo que um ser humano poderia derrota tal máquina? Levando em  consideração que eu me restringi a discorrer sobre as possibilidades inerentes ao programa WZebra, outros softwares como Ntest, Pointy, Forest, Edax ficaram de fora, pois todos têm mais ou menos a mesma força que o WZebra. Aplicativos como DroidZebra, The Othello, Ultima Reversi  são fortes, mas por serem inferiores aos programas para rodar em máquinas, ficaram de fora também.

Então, voltando a pergunta anterior, a resposta é sim e não, mas o sim é malandro. Vejamos:

Como disse Vlad Petric, jogador de Othello da United States of America, seria possível se: (A) Evitar que o programa aprenda jogadas, (B) Jogar somente contra as piores aberturas do programa, (C) Decorar variáveis, e mesmo assim, ainda seria muito difícil derrotá-lo.

Eu pessoalmente fiz esse teste, mas de uma forma um pouco diferente. No caso, eu programei o WZebra, mesmo que no nível 16, a jogar com alta aleatoriedade, para isso fui em “Configurações de Zebra”, logo em seguida em “Biblioteca” e cliquei em “Enorme Aleatoriedade”, depois fui em “Meio Jogo” também no mesmo menu, e fiz o mesmo. E não deu outra! O programa mesmo no nível 16, ficou bem mais fraco, algo até fora do normal. Eu diria que se parecia com o nível 6 em termos de habilidades e profundidade de busca. Existem truques para deixar o WZebra mais fraco e, até mesmo derrotá-lo, dentro dessa configuração, eu joguei sem pensar muito e em algumas partidas eu somente perdi por 38 a 26, o que é anormal! Normalmente o WZebra no nível 16 ou superior, de profundidade, não deixa possibilidade alguma de vitória a humanos, nem ao menos seríamos capazes de nos defender de um programa forte assim,(o normal para um bom jogador é ser derrotado por 52-12 ou 48-16 por exemplo) mas usando alguns truques, sim. Alta Aleatoriedade deixa, aparentemente, o WZebra mais fraco, uma vez que não consegue fazer buscas eficientes, o deixando caótico, e essa é a chance de um ser humano mais bem treinado, derrotá-lo, mesmo que em um nível mais alto, como o 20 por exemplo. Mas sem isso, não meu amigo(a), pode até ser, mas é quase impossível derrotar o WZebra em sua totalidade operacional. E foi mais ou menos o que disse o jogador Henry Aspenryd da Suécia, um dos principais jogadores do país há anos, e integrante do Comitê de Regras da Federação Mundial de Othello, onde o mesmo disse que mesmo com as configurações certas, as chances de se derrotar o WZebra seriam ainda improváveis, algo, segundo suas palavras, como ganhar na loteria. Garry Edmead, que participou do mundial de Othello de 1996, lembrou do massacre que o jogador japonês Takeshi Murakami levou do programa Logistello em 1997, (ele próprio pode jogar presencialmente contra Murakami em 1996) e disse jogar periodicamente contra o WZebra nos níveis 16/20, e nunca ter ganhado na vida. Ele ainda aposta que isso poderia ser possível talvez, para um dos jogadores TOPs do mundo, mas também citou o que aconteceu em 1997 com o jogador japonês, ou seja, acredita ser pouco provável para um ser humano derrotá-lo. Mas o que falaria um campeão mundial sobre esse tema? Bom, o blog Othello Classic não é fraco não, e conseguiu fazer essa pergunta a um, no caso, o jogador norte-americano, Ben Seeley, bicampeão mundial de Othello (2003-2004), e o mesmo disse que jogadores fortes como Yusuke Takanashi (tetracampeão mundial) jogou jogos perfeitos, ou quase perfeitos perdendo 1 disco no final do jogo. E disse que isso ainda assim, seria muito raro de acontecer, mas caso acontecesse, poderia ao menos garantir um empate contra o WZebra.

Mas e ai, talvez um programador especializado no jogo Reversi tenha uma ideia um pouco diferente sobre esse tema, o que será que um falaria a respeito disso?

Bom, para isso o blog Othello Classic foi atrás de nada mais nada menos que o italiano Beppi Menozzi. Tá, e quem é ele? Ele é o criador de um dos programas de Reversi mais famosos da história desse jogo, o Happy End.  E o que esse especialista disse foi realmente o tiro de misericórdia nas esperanças daqueles que pretendem (ou falam) derrotar o WZebra em uma boa profundidade e em sua força total, leiam o que ele disse na íntegra:

“Minha curta resposta é: não.
Um programa é, de longe, mais capaz de explorar as consequências a longo prazo de um movimento, então não há nenhuma maneira possível para um cérebro humano se aproximar de um programa que pode avançar 26 movimentos em profundidade no meio do jogo, conhece centenas de aberturas e joga perfeitamente em “28 vazias”.

De qualquer forma, um programa pode vencer outro programa, por isso não é teoricamente impossível vencer o Zebra. Os desenvolvedores de torneios entre programas geralmente costumavam analisar aberturas de oponentes específicos para, descobrir onde a biblioteca do oponente ou o algoritmo falharam com um trabalho profundo antes do torneio. Não sei se isso é possível, porquê, obviamente, durante os anos as bibliotecas cresceram e o jogo Othello foi explorado quase que totalmente.

Há outra maneira teórica de vencer um programa: assim que qualquer algoritmo de análise é baseado em valores estatísticos, significa que geralmente um programa foi treinado em jogos genéricos, há posições que apareceram muitas vezes e outras que são raras (por exemplo, sabemos que 2 + furo + 3 em uma borda é muito mais raro do que 1 + furo + 4). Essas posições podem ter uma pontuação menos precisa e então gerar erros na função de avaliação.
Esta não é uma estratégia fácil, porém, porque o nosso cérebro funciona exatamente da mesma maneira e, posições estranhas são definitivamente mais difíceis de avaliar do que as combinações normais. Mesmo assim, se você decidir seguir caminhos estranhos em um jogo, você pode ter certeza de que na avaliação a função é menos precisa, mas não significa que você estará indo em um caminho vencedor.

Então, minha longa resposta é: sem estudar movimento por movimento em um jogo específico de ponta a ponta, com o único propósito de encontrar pequenos vazamentos na avaliação do programa, nenhum humano pode vencer um programa em Othello.

Isso também se deve à complexidade do jogo. Em Othello há (se eu me lembro bem desses números) em média, cerca de 12-15 possíveis movimentos por turno. No Xadrez é cerca de 25, Conexão – 4  apenas 4 ou 5, damas em torno de 6-7 e GO ... Centenas. Os seres humanos têm um pensamento mais estratégico e gráfico em relação aos computadores com um pensamento sequencial e metódico e, de fato, um computador superou o Mestre de Go apenas muito recentemente por esse motivo. O jogo Othello, infelizmente, não é bastante complexo para permitir que um humano compita com um programa.”



Ou seja, aparentemente não é uma tarefa fácil derrotar o WZebra em uma configuração profunda e sem aleatoriedade. Seria surreal aprender as artimanhas do programa e derrotá-lo periodicamente, uma vez o mesmo programado em sua melhor operação; seria o mesmo que uma pessoa sedentária, fraca, “periodicamente” dar uma surra no Anderson Silva toda vez que volta para casa do trabalho no meio do caminho, ou acertar um tiro a 10 Km de distância em um alvo do tamanho de uma maçã enquanto toma o café da manhã, não seria impossível nenhuma dessas coisas, mas seriam extremamente improváveis. Agora, quem sabe... Jogando areia nos olhos do lutador e amarrando suas mãos e pés, talvez suas chances aumentem, ou quem sabe, aumentando o alvo ao tamanho de um prédio de 50 andares, com mais uns 30.000 m², e utilizando uma arma com precisão cirúrgica, quem sabe suas chances de não errar subissem mais.


Essas minhas analogias toscas ilustram mais ou menos a dificuldade que é vencer um programa forte no Reversi, somos meros mortais formados de carbono, querendo enfrentar máquinas especializadas. Como bem disseram os experientes jogadores e programadores acima, se você for realmente um jogador de ponta, (um bom lutador ou atirador profissional) obtendo algumas pré-vantagens antes (areia/cordas – aumento de tamanho de alvo/arma de precisão) suas chances podem aumentar ao ponto de garantir uma vitória, caso o contrário, suas chances serão sempre irrisórias perante uma máquina, a não ser que você seja o cara! Como bem disse o Seeley, o jogador Yusuke Takanashi fez jogos perfeitos, então, quem sabe tenhamos mais “Takanashis” por ai só esperando a oportunidade de mostrar que sim, os humanos são melhores que as máquinas no Othello/Reversi, mas enquanto esse dia não chega, só nos resta mesmo esperar e apanhar mais um pouco. J


Referências:
Como o Programa Pensa

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2009/10/como-um-programa-pensa.html 

Estrutura da Inteligência Artificial no Jogo Othello

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2013/01/estrutura-da-inteligencia-artificial.html 

Othello: Game of the Century by Takeshi Murakami (Japan Quarterly, 2000)

http://othellonews.weebly.com/november-2013.html 

Sobre o Programa WZebra

http://radagast.se/othello/zebra.html


Os diálogos dos participantes na íntegra:

Vlad Petric

“I think for 16/20 it should be possible, if you a) don't let WZebra learn; b) find an opening that it plays poorly (at least -5), by playing it against, say NTest at depth 30, and c) memorizing it and its variants.

Pretty darn difficult, even as such.” 


Henry Aspenryd

“In theory, if you have some setting that make zebra play a none optimal opening (like human opening style), and ends up with a losing opening. The player could play perfect play by luck. It's so far fetched that I would say your statement is correct, but then again people win on lottery tickets too”


Garry Edmead

“I play regularly at level 16 to 20 and beaten it an amazing 0 times. Maybe a top 10 world player could give it a go but I can remember Takeshi Murakami playing a computer many years ago and getting beaten in every game.”


Ben Seeley

“Top humans like Takanashi have played games which were literally perfect, or in which they only lost 1 disc. It's incredibly rare to do that, but normally that should be enough to beat or at least tie Zebra on that setting.”


Beppi Menozzi
“My short answer is: no.
A program is by far more capable of exploring consequences at long term of a move, so there's no possible way for a human brain to even get close to a program that can go 26 moves deep in midgame, knows hundreds of openings and plays perfectly at 28 empties.

Anyway, a program can beat another program, so it's not teoretically impossible to beat Zebra. On program tournaments developers generally used to analyze openings by specific opponents to find where opponent's library or algorhythm fail, with a pre-tournament deep work. I don't know if this is possible anymore, because obviously during the years the libraries have grown and Othello has been explored almost fully.

There's another teoretical way to beat a program: as soon as any analysis algorithm is based on statistical values, generally a program has been trained on generic games, there are positions that appeared very often and others that are rare (for example, we know that 2+hole+3 on an edge is far more rare than 1+hole+4). These positions could have less precise score and then lead to errors in the evaluation function.
This is not an easy strategy though, because our brain works in the exact same manner and strange positions are definitely tougher to evaluate than usual combinations.Even more, if you decide to follow strange paths in a game, you can be sure that the evaluation function is less precise, but not that you are taking a winning path.

So, my long answer is: without studying move by move a specific game from start to end with the only purpose of finding small leaks in the program's evaluation, no human can beat a program in Othello.

This is also due to the complexity of the game. In Othello there are - if I remember well these numbers - on average around 12-15 possible moves per turn. In Chess is around 25, 4-in-a-row just 4 or 5, checkers around 6-7 and Go... hundreds. Humans have more strategical and graphical thinking in respect to computers with a sequential and methodic thinking, and indeed a computer has beaten the Go master only very recently for this reason.Othello, unfortunately, is not enough complex to allow a human to compete with a program.”

terça-feira, 23 de maio de 2017

Onde estaríamos dentro do Universo Othello no cenário Mundial?



Onde estaríamos dentro do imenso Universo Otelístico do cenário Mundial?

Com o árduo trabalho de organizadores como Moisés Correia, Evans Fritsch, Joselita Fuza Correia dentre outros, vimos o número de jogadores de Othello crescer gigantescamente em Nova Odessa e região. E sem sombra de dúvidas hoje graça a esse grande trabalho, o Brasil está entre as nações onde mais esse esporte cresce, junto ao Japão e Coréia do Sul, por exemplo. Estamos à frente de quase todo o planeta, países como Estados Unidos, Holanda, Itália, França e Dinamarca ficaram para trás, mas bem para trás mesmo! Mas com isso vem outra pergunta:  Temos de fato o número e é grande, porém de fato estaríamos tecnicamente preparados para jogar com os grandes jogadores americanos (me refiro ao continente americano completamente) europeus e asiáticos de igual para igual? Ou ainda estamos engatinhando?

Antigamente, era quase praxe termos 10 ou no máximo 12 participantes nas competições de Othello aqui no Brasil, e não pense que esse número era baixo! Pois era e ainda é a média de 85% dos países que têm competições oficiais de Othello, muitos países ainda hoje somente conseguem reunir no máximo cinco jogadores por campeonato, quando têm sorte. Então ainda é uma novidade muito boa quando vejo campeonatos aqui no Brasil com 35, 50, 60 ou 80 participantes, chega a ser surreal de fato. A maioria desses jogadores estão começando a jogar agora, têm uma boa dedicação e interesse pelo jogo, mas ainda pouco contato virtual ou número de partidas consideráveis, e se vocês leram minha postagem sobre o desenvolvimento da técnica “E ai, como anda a sua técnica?” perceberam que não basta apenas ler livros ou ver vídeos do jogo, tem que jogar e treinar, caso o contrário a ideia e timing do jogo não fixa na memória, e principalmente gostar do jogo; sentir prazer em cada coisa nova aprendida, memorizar e comemorar cada vez que consegue aplicar uma jogada no oponente, se alegrar a cada “monstro” derrubado pelo caminho. Isso é gostar do jogo, e tendo isso, com o treino e partidas o progresso virá inevitavelmente. Bom, de toda a turma, quantos habilidosos jogadores sairão dessa garimpagem natural na saudosa safra de jogadores brasileiros?

Acredito que obviamente nem todos, talvez até a maioria mesmo abandone o jogo Othello, (a grande maioria dos jogadores iniciantes é juvenil, estão abaixo dos 18 anos de idade) talvez porque enjoe de jogar, ou porque descobrirá jogos e modalidades que para eles será mais atrativo, tais como xadrez, damas, gamão, carcassonne, judô, futsal dentre outros... Ou apenas parará de praticar qualquer coisa para que possam se dedicar aos estudos, ou trabalhar, enfim. Estes levarão para toda a vida toda a cultura ensinada e assinada em suas mentes pelos esportes e jogos de tabuleiros, tal como dedicação, concentração, superação e respeito, mas seguirão suas vidas. E com isso teremos um número mais reduzido daqueles que de fato irão começar a jogar virtualmente diariamente (sim, os treinos se tornam mais eficazes quando são diários) e que começarão a entender o jogo de verdade, saberão realizar jogadas incríveis que desconhecem o nome, mas que conhecerão na prática. Esses futuros e enigmáticos jogadores serão aqueles que se juntarão a turma antiga do jogo no país dentro do critério técnica e habilidade, pois hoje ainda dentro desse critério, de fato, estamos somente no começo dentro da nova safra. Se usássemos uma fita métrica imaginária para medir as habilidades e conhecimento técnico dos jogadores atuais do Brasil, da turma antiga e da nova, em comparação com os jogadores do resto do mundo, em que posição nessa fita, estaríamos?

Essa não é uma pergunta assim tão fácil de responder, mas à priori eu diria que os jogadores veteranos, aqueles que destes praticam e estão sempre afiados e atualizados, não diferem muito do nível da grande maioria dos jogadores de ponta da Europa ou Estados Unidos, por exemplo.  Logo após, eu diria que os jogadores que jogam diariamente, mas não treinam e absorvem o que aprendem estariam abaixo nessa métrica, seguidas pelos iniciantes da nova safra. Os jogadores japoneses estariam muito alto nessa linhagem, bem acima da maioria e acima dos europeus e dos outros jogadores asiáticos. Outra coisa importante que eu gostaria de deixar claro, é que essa lista de notas, é puramente baseada em observações pessoais, não me utilizei de posição no ranking mundial, nem de detalhamento técnico apurado, me baseei apenas dentro daquilo que eu sei, que pesquisei, e que vi sobre os feitos desses jogadores, junto com minhas memórias referente a jogos que vi de alguns dos mesmos, e em todos os países há jogadores iniciantes que passam pelas mesmas dificuldades e fases no aprendizado, a minha intenção com a lista é puramente mostrar um norte, mostrar aos iniciantes e talentosos jogadores brasileiros, o caminho que há pela frente, que não é curto nem fácil, mas tão pouco intransponível.

Bom, vamos lá. Supomos que tenhamos um sistema de medida que vá de 0 a 100, onde estariam dentro dessa métrica alguns jogadores norte-americanos, canadenses e argentinos? Vou citar Ben Seeley dos Estados Unidos, Tim Krzywono do Canadá, Daniel Olivares, Maximiliano Pellizzari e Marcelo Lisnovsky os três da Argentina. O jogador estadunidense Ben Seeley já foi duas vezes campeão mundial, e participou de inúmeros campeonatos dentro e fora dos Estados Unidos, é um jogador muito habilidoso. Ele estaria a meu ver, de 0 a 100 em 85 nessa métrica. O canadense Krzywono, ótimo jogador que até mesmo já participou de cinco mundiais, estaria em 75. Os jogadores argentinos, que geralmente são de alto nível, estariam Olivares em 70, Maximiliano em 76 e Marcelo em 75. Se irmos à Europa, poderíamos avaliar a habilidade de jogadores como Nicky van den Biggelaar da Holanda, Michele Borassi da Itália, Matthias Berg da Alemanha, Martin Ødegård da Noruega, Mario Madrona da Espanha, Oskar Eklund da Suécia, Imre Leader e David Beck ambos da Inglaterra e Dmitriy Atamanov da Rússia Onde cada um desses excelentes e veteranos jogadores estariam?
Sem mais delongas, respectivamente à ordem dos nomes: 80, 76, 82, 72, 74, 72, 78, 79, 82. Ou seja, praticamente estariam de 72 a 82, dentro do meu entendimento. E os asiáticos em geral, qual seria a posição? Para responder isso, vamos citar estes jogadores: Hideshi Tamenori, Takeshi Murakami, Yusuke Takanashi e Yasushi Nagano, todos do Japão. Dos outros países da região teríamos, Yan Song da China, Piyanat Aunchulee da Tailândia, Meng joo Lai da Malásia, Joung-Mok OH da Coréia do Sul, Kelvin Yang de Hong-Kong, e Alex Koh Bo Chao de Singapura, e o resultado seriam essas notas respectivamente: 95,92,90,88 (essas notas são dos jogadores japoneses) continuando:86, 88, 84, 82, 72, 75. Bom, é isso ai, estamos com isso começando a pegar o parâmetro necessário para entender um pouco mais da nossa posição referente ao resto do mundo, para com isso consigam entender um pouco melhor a média de notas brasileiras.

Assim como Pedro Álvares Cabral, finalmente chegamos ao Brasil... Pois é, mas dessa vez prefiro não pormenorizar as notas, e sim apenas colocar a média geral das classes de jogadores, só isso já bastará para termos uma ideia de como estamos referente ao restante do mundo. Para analisarmos os brazucas, vamos dividir a turma toda em três categorias, a primeira seria a de jogadores de tabuleiro e campeonatos oficiais veteranos, a segunda de jogadores virtuais em geral, mas que nunca participaram de um campeonato otb, e a terceira turma seria toda a nova safra de jogadores de Nova Odessa e região. E ficaria assim:

Jogadores Brasileiros de Campeonatos Oficiais, (Veteranos):

Lucas Cherem, Marcos Paulo K-Marão, Henrique Oliveira, Daniel Dantas, Fabrício Silva, Jun Takemoto e Roberto Iglesias. A nota GERAL para toda essa turma em nível de habilidade e técnica, seria algo de 0 a 100, igual a algo de 65 a 78. Nota boa ao meu ver.

Jogadores Virtuais em Geral:

Anuar Haddad (Salim), Ricardo Brandão, Dennis Medeiros, Adrian (Buyo), Guilherme Chyodetto (Satto), Vitor Cid. E a nota geral para essa turma seria em algo como, de 0 a 100, algo de 70 a 80. Uma excelente nota, realmente motivada pelo excesso de treino e de jogos seguidos.

Jogadores da Nova Safra, de Nova Odessa e Região:

Mitsuru Dairokuno, Gabriel Marden, Evans Fritsch, Moisés Correia, Joselita Fuza Correia, Vitor Paie Correia, Dinah Godoi.  Esses são os jogadores que eu realmente tiro o meu chapéu, pois são esforçados de verdade, inclusive fiz uma postagem no meu Facebook enaltecendo o nível do jogador Vitor Paie Correia, que pude jogar em dezembro do ano passado na Copa de Natal da Ludus Luderia, é um bom jogador levando em consideração o pouco tempo que conhece o jogo. Também dessa lista não posso deixar de elogiar o desempenho da Campeã Brasileira Dinah Godoi, que eu pude jogar e notar que é dona de um bom raciocínio de jogo e uma excelente concentração. Sobre o Evans eu diria ser um jogador com uma boa noção de armação de jogadas, achei um bom jogador também, e o Moisés chegou até a ganhar um Campeonato, no caso, o Campeonato Paulista de 2016, o primeiro campeonato paulista que já tivemos, e derrotando, incrivelmente, o tricampeão brasileiro de Othello, Lucas Cherem na final. Então, eu poderia presumir que a nota dessa turma, de 0 a 100 iria de algo em torno de 30 a 40, é uma boa nota também, levando em consideração o pouco tempo que conhecem o jogo. Obviamente que ainda falta muito treino para se igualar aos jogadores de ponta no continente Americano, Europa e Ásia, mas estão progredindo.

Nesse jogo, como em qualquer jogo que você possa conhecer na vida, não existe panacéia, ou seja, o remédio milagroso para todas as coisas, para entender Reversi de verdade tem que jogar e treinar, não é um caminho curto. Acredito que a evolução inicial costuma ser mais rápida, você poderá ir de 10 a 30 rapidamente, já se destacando perante àqueles que não conhecem muito do jogo, mas a velocidade costuma desacelerar com o tempo, e você percebe que para dar um passo a mais, será necessário estudos mais profundos. Depois de treinar e derrotar vários oponentes, na realidade é quando você se da conta que está apenas no limiar do saber, é quando você percebe que o caminho é longo e que existe algo além de apenas estudos. Para realmente nos tornarmos bons nesse jogo, temos que ter uma ideia pertinaz que gruda na mente e não sai, a ideia de melhorar a cada dia, se superando e passando por todas as intempéries que possam vir, e com isso entender cada vez mais o quanto nos falta para aprender. A barreira poderá ser quebrada, não tenho dúvidas disso, mas essa barreira não está próxima, ainda há o que se caminhar. Hei de jogar fora todos os delírios e se apoiar na realidade, só assim poderá saber onde está, e para aonde quer ir.

Obrigado a todos.

sábado, 22 de abril de 2017

Parabéns! 8 Anos de Blog. :)



Bom dia pessoal, tudo bem?

Oito anos de blog, e passando aqui somente para agradecer a vocês por mais de 100.500 acessos, que para um humilde blog de Reversi, é muita coisa.

Nesse tempo todo, o que posso dizer sobre meus leitores, que no decorrer do tempo me enviaram seus honrosos comentários com dicas, elogios e críticas, que o público desse blog é formado por pessoas realmente inteligentes. Esse é realmente um espaço nerd do qual eu muito me orgulho de contribuir. :)


Para quem um dia apenas pensou em postar fotos e informações no álbum do Orkut, optar por fazer isso no blog não foi má escolha, e por mais que o Facebook seja uma plataforma grande hoje em dia, junto ao próprio Youtube que é onde eu também público coisas referentes ao jogo, NADA, ABSOLUTAMENTE NADA substituí essa linda plataforma chamada Blog.


Abraços Pessoal, e Até a Próxima.

:)

segunda-feira, 20 de março de 2017

Reversi A Lá "Psiquê"




Bom dia a todos

Pessuar, eu quero abordar aqui três assuntos que de certa forma estão totalmente ligados à esfera psicológica humana, e que de forma bem simples inundam nossa psique antes que sejamos capazes de atinar qualquer reação possível em represália a elas. Pois bem, sabe quando você está lá jogando todo tranquilo e quando se da conta, jogadas e movimentos simples que sempre executou sem titubear de repente somem da sua cabeça?
Ou quando você se vê preso num ralo de lama tentando sair de uma situação específica no jogo e afundando cada vez mais? Ou pior, quando você encara um jogador que não sabe nem onde está e o que está fazendo, e pensa que o está jogando Pac-Man do Atari ao invés de Reversi, e começa a pegar todas as peças possíveis de uma só vez e de maneira rápida, causando te deixando totalmente confuso e desnorteado. É isso ai meu(minha) caro(a) amigo(a) leitor(ora), a primeira situação eu nomeio de inconstância natural, a segunda eu nomeio de vórtice do desespero e a terceira de Síndrome do Pac-Man, todas  são normais e podem acontecer com qualquer jogador, não importando o nível em que esteja no momento, então novatos e campeões mundiais podem sofrer o mesmo infortúnio, mesmo que seja em formas e graus diferentes. Vou abordar cada uma delas logo abaixo, a classificando e discorrendo um pouco sobre elas, talvez uma breve tipificação desses fenômenos.


Inconstância Natural

Eu costumo falar que uma das maneiras de se identificar um programeiro profissional é justamente a sua total constância rítmica de vitórias ininterrupta, quase sempre são adversários inexcedíveis, imbatíveis e inabaláveis, além de um ego megalomaníaco na maioria da vezes, caracterizando falta de empatia ou bom senso, (deixando beeem claro aqui que não existe só um tipo de “trapaceiro” virtual, esse que citei é o mais simples de se identificar, se eu abordar os outros tipos, vocês iriam ficar de queixo caído, é uma miscelânea de comportamentos traçados que podem fazer uma pessoa a se viciar em trapaça) Agora voltando ao assunto... Ou seja, há uma total dissonância entre a capacidade social do sujeito incluindo sua consciência emocional, com o lado cerebral que cuida das abstrações necessárias, ou seja, têm-se a impressão de que fatores sociais e emocionais não influenciam sua capacidade analítica de jogo, eu poderia dizer de uma maneira bem “porcamente” e reduzidamente, já que não sou dessa área, que de alguma forma o sistema límbico não conversa com o lobo frontal do sujeito, o que apontaria que:  Ou o jogador inabalável em questão sofreu alguma lesão cerebral que tenha desvinculado os dois conjuntos neurais de alguma forma, ou, e mais provavelmente, ele não necessita utilizar tais áreas cerebrais ligadas a cognição, pois o programa já faz isso por ele. Talvez eu não esteja conseguindo ser claro o suficiente, então vou resumir, até onde eu sei não há ser humano capaz de vencer todas as partidas, ser humano capaz de estar bem tanto no jogo quanto emocionalmente todos os dias da vida, sem estresse, sem derrotas e sem nada que seja considerado negativo e natural a vida humana. Na verdade, o normal seria quando falamos de Reversi ou qualquer outro tipo de jogo, DERROTAS E VITÓRIAS com alguns empates eventualmente; é justamente a isso que nomeio de: Inconstância Natural. Se você tem dias que perde todas, dias que perde menos, mas ainda assim está longe da forma ideal, e já em outro ganha quase todas as partidas, bem-vindo jovem, você é normal, você é um ser humano, não uma máquina.

Agora você pode me perguntar o seguinte: O que causa isso?

Como já deixei a pista da resposta acima, só me cabe agora complementar, e é justamente isso mais ou menos ai que você pensou, o lance de jogar bem/mal/regularmente em dias diferentes está ligado além de outros, a fatores sociais e naturais tais como o sono, alimentação, estresse, ansiosidade, irritabilidade e preocupações do dia a dia. Uma pessoa ansiosa por exemplo, não tem paciência para analisar o melhor movimento, o que o empurra para derrotas relacionadas aos pequenos erros somados sistematicamente durante uma partida, já o estressado quer às vezes ganhar sem pensar muito, quer ganhar no grito mesmo, o mal alimentado pode estar com falta de nutrientes necessários para maior flexibilidade do tecido neural, como por exemplo a vitamina C, que ajuda em vários benefícios do nosso sistema nervoso central, além de aprimorar a “conversação” sináptica. E quem aqui nunca ouviu falar no famoso Omega 3? E antes que falem, não estou sendo patrocinado a nada não (risos), Tá legal, que também ajuda na memória e em outras coisas também. E nem preciso falar aqui do decadente nível intelectual de uma pessoa que esteja com um alto nível de estresse, né? O cérebro é incapaz de trabalhar adequadamente se não estiver bem cuidado, e isso é algo já sabido de todo mundo, não há novidade alguma nisso. E ainda irão me dizer: “Ah Fabrício, mas e se a pessoa não estiver estressada, ansiosa ou mal alimentada ou nada disso ai que você falou, ela não irá jogar bem e ganhar quase todos os dias?” Hummm... Não, não vai. Falo isso porque além disso tudo ainda teria a questão das habilidades, treinos, técnicas pessoais e nível de inteligência, e mesmo que o sujeito fosse o Einstein, existiria uma coisa da qual ele não poderia jamais escapar: A sua condição humana, e até onde eu sei, todo ser humano erra, logo ele perderia muitas vezes. O melhor e maior ser humano de todos, nunca deixou de ser humano acima de tudo. Como bem dizia Nietzsche: “Humano, demasiadamente humano”.

 E ai, e sobre os tais vórtices do desespero, afinal o que seria isso?

Vórtice do Desespero

Esse é até engraçado, e eu ainda vivo caindo nisso, como também adoro fazer com os outros assim que percebo que o oponente está tentando desesperadamente se agarrar a algo, que geralmente é uma pecinha específica no jogo que ele perde e tenta A QUALQUER preço recuperá-la, tentando colocá-la de volta no lugar, geralmente o jogador que faz ou que cai num vórtice do desespero conhece a técnica de acessos, sabe construir pontes no jogo para facilitar sua ida e acesso a outras regiões, e é justamente o seu conhecimento que o destrói. Pois uma vez vendo sua linda ponte destruída, tende a querer  reconstruí-la, muitas das vezes é sim possível, mas e quando não é? E pior, e quando o seu oponente é malicioso o suficiente para saber que não é possível fazer aquilo e usa isso contra você? Eu já presenciei esse fenômeno pela Internet algumas vezes, mas também no tabuleiro cara a cara com o meu oponente, e é incrível ver que realmente a pessoa faz cara de desespero e inquietude sem saber o que está acontecendo, mesmo que a coisa toda esteja estampada na cara dela! Gente, sempre que vocês perceberem que o seu oponente sistematicamente destrói suas jogadas da mesma forma, encare isso como um aviso, você pode estar num vórtice do desespero.
Então o que faço?

Bom, caso esteja em um é hora de mudar de direção, mude a jogada e vá para outro lado e caminho no tabuleiro de jogo, saia com cuidado para uma direção que o criador do vórtice não perceba, e ironicamente o vórtice que ele criou para você, servirá para catapultar ele próprio antes que ele perceba. Nesse jogo aprender como mudar de direção, assim como o vôo dos pássaros, pode ser mais importante que sua velocidade e força de vôo como um Caça.


A Síndrome do Pac-Man

Esse terceiro tema me faz lembrar do livro O Mágico de Oz, quando a casa de Dorothy que foi carregada pelo furacão, cai em cima da Bruxa Má do Leste e a mata. Acho que no jogo quando um jogador meio desastrado que age e joga de maneira tresloucada ganha de maneira tão súbita de um jogador bem mais habilidoso, é algo que só pode ser chamado de sorte mesmo. Esse jogo por mais técnico e abstrativo que seja, e por ser isento a dados ou sorteios como é em jogos como Pôker ou baralho, (e não estou dizendo que a sorte impere no jogo de Pôker por exemplo, que sei que a capacidade analítica e conhecimento percentual imperam mais que a pura sorte em si) tem ainda uma coisa que pode ser entendida como “sorte”, mas a sorte aqui não está no jogo, não está dentro do jogo, está fora. Acredito eu que se caso você jogar rápido pegando o maior número de peças possíveis, sem pensar em nada e apenas tomando cuidado para não entregar os cantos logo de cara, você poderá suscitar confusão no seu oponente, e mais uma vez, quase todos somos suscetíveis a esse tipo de manobra, é quase como uma hipnose, e antes que digam que hipnose é só Fabio Puentes e toda a falcatrua em torno disso, está enganado, para quem não sabe a hipnose é uma ciência, muito usada como ferramenta dentro da psicologia por exemplo, e ela trabalha “sugestões” e uma vez que mentalmente a pessoa está ligada ao mediador, ela pode entrar num estado diferente e alterado de consciência (não estou sendo místico, isso ainda é de esfera biológica-psicológica) então a meu ver, como naqueles casos em que o hipnólogo estala os dedos na frente da pessoa, a chamando de “João” por exemplo, enquanto lhe pergunta o seu nome, e a pessoa demonstra confusão e branco mental, sem conseguir responder o seu verdadeiro nome, nos mostra como o acesso à memória pode ser quebrado com um simples desvio visual ou auditivo, e é mais ou menos, e não tenho a pretensão de afirmar isso, que acontece quando você vê um jogador jogando rápido e virando todas as peças de maneira dissonante com aquilo que você habitualmente está acostumado a ver, nessa hora instintivamente temos o hábito de querer jogar rápido também, sem pensar muito no que fazer, ou de ficarmos atônitos a situação sem saber qual peça virar sem que o seu oponente destrua tudo num só movimento e acabe lhe zerando, vencendo a partida e deixando você sem nenhuma peça.

Então estou hipnotizado? O que fazer?

Se isso acontecer, pare e pense no próximo movimento, geralmente uma coisa que funciona bem comigo é fazer movimentos multidirecionais, como? Revertendo peças em duas direções ao mesmo tempo, à priori não se preocupe em como irá ficar a mobilidade do seu jogo, pois o seu oponente não saberá aproveitar isso em benefício próprio, por ter uma total falta de visão de jogo e não discernir entre virar uma peça ou outra, para ele todas são iguais e todas de uma vez melhor ainda, então depois disso e com uma boa posição em uma das bordas, a vitória será fácil. A não ser que você queira que a casa caia em cima de você, não também que eu esteja acusando alguém de bruxaria aqui. (risos) Faça isso e tente sempre manter a calma no jogo. É isso. J

Bom, é isso, continuem pensando, jogando e treinando.

E até a próxima.

Abraços

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Os Melhores Jogadores Brasileiros de Reversi, 2003 à 2017




Olá a todos, tudo bem?

Há exatos 6 anos, eu fiz uma postagem da qual na minha humilde opinião, eu dizia quem eram os melhores jogadores brasileiros de Othello/Reversi. Pois bem, lembro que essa lista deu um falatório só, algumas pessoas não ficaram satisfeitas e diziam coisas tais como: “Ah, mas fulano não está na lista?” ...  “Coloca sicrano, ele joga pra c...!” e até mesmo: “Oh, faltou eu nessa lista” [ironic/mode] creio eu. Mas isso tudo foi normal, pois não é nada fácil fazer uma lista arbitraria, subjetiva e pessoal e tentar agradar a todos, uma vez que minhas listas não agradam nem  a mim mesmo quando as leio no dia seguinte. Dessa vez, seis anos mais experiente e com mais bagagem analítica, estou um pouco mais seguro com meus palpites e, sim, são só palpites. Uma vez que não tive acesso a dados recentes de alguns desses jogadores, só posso especular em qual grau técnico o agente estava na última vez que o analisei, e qual impressão deixou impregnada em minha mente, dentre aqueles que pude analisar, em qual fase o analisei? Boa, regular ou má fase? Para isso o agente terá que contar com a sorte de ter jogado bem nos dias que pude analisá-lo, fora isso, posso acrescentar minhas impressões durante partidas que joguei contra o jogador, em momentos em que eu estive numa boa fase e detalhes característicos a cada jogador. Critérios como fluência, criatividade, esquema tático, capacidade de criar armadilhas (Vai desde de Stoner Trap, passando pelos Swinddle até Envenenar Discos), leque amplo de aberturas (jogadores que usam somente uma ou duas aberturas não se comparam aos que usam 5,6 ou 7 aberturas, mesmo que sejam bons, caem no critério da criatividade) forte posicionamento e etc... Outra coisa que conta muito é a assinatura jogabilística de classe, ou seja, o estilo do jogador, aquele “caractere” que só ele tem, o trejeito que o denuncia mesmo quando quer jogar anonimamente, todos temos isso e não importa se é bom ou mal jogador, mas obviamente pelo título da postagem, só levarei em conta os bons jogadores. Como poderão notar, por motivos obvieis eu não me coloquei na lista, não analisarei eu mesmo, seria tendencioso talvez.

Ironicamente essa lista é bem dividida entre jogadores do Flyordie e do PlayOk, 10/10, e isso não foi propositalmente não, foi apenas coincidência, mas não significa que os nicks flyordianos e playokianos estejam ativos ainda, pois alguns dos integrantes dessa seleta lista sumiram do mapa, infelizmente. Em comparação com a minha primeira lista, essa tem alguns nomes novos, jogadores que surgiram agora ou que simplesmente se desenvolveram somente agora, tais como Vitor Cid, Ricardo Brandão e Denis Ribeiro. Alguns membros da lista antiga decaíram um pouco e não estão mais nessa lista, tal como Daniel Dantas (ddantas – P), Suzane Petry (Sú – F) e Paulo Silva (bizonho21 – P). Nessa lista assim como na outra, só tem uma representante feminina, até mesmo porque ainda há uma certa predominância masculina nesse e em outros jogos de tabuleiro, mesmo que eu reconheça que existam magníficas jogadoras de Othello/Reveris pelo mundo, posso citar a Veronica Stenberg da Suécia, Velma Fu de Hong-Kong, Joanna William de Singapura dentre outras mais... Mas, ainda é raro ver mulheres se interessarem muito por esse jogo. (Talvez Nova Odessa mude um pouco isso, já estamos vendo progresso) Outra coisa sobre essa lista é que infelizmente tem jogadores que não participam do nosso circulo de amizade e divulgação, (mas tão pouco incomodam alguém hoje em dia) mas que mesmo assim seria injustiça da minha parte deixá-los de fora, só para citar dois: Jeffeson e Paulo Farina, por algum motivo nunca proferiram uma só palavra a nenhum dos jogadores que inocentemente fazem parte dos veteranos e iniciantes, por razões de privacidade (compreensível nos dias de hoje) ou turrice mesmo. Nessa lista também há outra coisa inusitada, tem um gringo. Pois é, o Pedro Jorge (le magnific – F) é português, mas como desde o início interagiu com os brasileiros super veteranos como Lucas, Adegar, Marcos e outros, acabou ficando meio abrasileirado, acabou fazendo parte da turma de brasileiros, até mesmo porque não há tantos jogadores portugueses de Othello/Reversi, por alguma razão incógnita... Um país que fica do lado da Espanha que tem uma excelente divulgação desse jogo, próximo à França, Itália e Alemanha por assim dizer, e nem sequer sabem que o jogo existe, é de se questionar mesmo. Nessa lista apenas três jogadores já participaram de algum campeonato de Othello oficial, são eles: Lucas Cherem, Jun Takemoto e Marcos Pires)todos os outros só jogam virtualmente, se você comparar a lista de jogadores do Ranting Oficial da Federação Brasileira de Othello, ainda sentirá uma discrepância enorme, um abismo que separa os jogadores virtuais dos jogadores do mundo real, infelizmente pelo motivo de muitos jogadores somente poderem jogar virtualmente, eles não conseguem oficializar seu nível junto a FBO, ou seja, são invisíveis perante a organização, não existem para ela e o mundo, a não ser virtualmente (não estou aqui dizendo que sejam obrigado a isso, ou que até mesmo queiram isso de fato, pois jogar tem significados diferentes entre as pessoas, alguns não trocariam o conforto de seu smartphone por nada nesse mundo, e é um direito deles, mesmo que eu pense diferente) e nem sempre quem joga no tabuleiro tem tempo ou companhia para poder jogar, já o jogador de Internet sempre tem adversários, o que no final resulta com jogadores masters virtuais (treinados pelo excesso de partidas jogadas) e jogadores do mundo real (sem muitos adversários, sem muito treino, sem tantas habilidades) ou seja, o ranting de qualquer federação ou associação no mundo, terá esse mesmo problema, o problema da lista de ranting não representar a realidade. Enfim, essa é a lista, hoje dia 28 de Fevereiro de 2017, atualizando a lista de 28 de Fevereiro de 2011, o que mudou? Confira e tire suas conclusões.
J

Melhores Jogadores de Othello/Reversi, Lista de 28 de Fevereiro de 2017
A Letra "F" representa os jogadores cadastrados preferencialmente no Flyordie, e a letra "P" no PlayOk.

1 – Dennis Medeiros                       (johnnyherbert – P)
2 – Adrian                                         (buyo – P)
 Jun Takemoto                              (hattori – P)
4 – Anuar Haddad “Salim”             (StepMan – F)
5 – Lucas Cherem                            (carlbarks2003 – P)
6 –  Guilherme Chyodetto “Satto”  (REVERSIIMASTER – F)
7 – Robson “Robão”                        (robão – F)
8 – Rose Matsumoto                       (Rose – F)
9 – Ricardo Brandão                      (BUJUVALO – F)
10 - Denis Ribeiro                             (Fora Dilma – F)
11 – Marcos Pires “K-Marão”         (reversisp – P)
12 – Vitor Cid                                     (lordvitor3 – P)
13 – Pedro Jorge                               (le magnific – F)
14 – Peter Buchan                            (bossa0nova – P)
15 – Rubens Pereira                         (captainsnake – P)
16 - Paulo Farina                              (grandep1 – P)
17 – Jefferson                                   (Jeffersontmc – F)
18 – Carlos Roberto                         (745i – F)
19 – Adegar Alves                            (admiib – P)

20 - Henrique Oliveira                     (henrique1 - F)

Adendo Especial

Alguns jogadores que marcaram dentro da minha trajetória não aparecem na lista, mas gostaria de deixar algumas referências aqui para vocês.

Lembro que quando eu estava aprendendo a jogar, não em 2004, mas lá para 2007 que eu tinha me cadastrado no Flyordie a menos de um ano, eu tinha um terrível adversário! O nome desse cara era Wagner, e eu, um novato que mal sabia alguma coisa do jogo, dentro da minha concepção, ele jogava demais. Ele não era do Reversi, ele era do Xadrez, e por isso ele tinha bastante visão de posicionamento do qual eu não tinha, nossa... como era difícil jogar com esse cara... Partidas travadas, cheio de cunhas (uma ou mais peças suas isoladas entre peças adversárias nas bordas) cheio de indecisão, um monte de medo de ter que entregar o canto (perder o canto naquela época era sinônimo de derrota dentro de minhas limitações), mas como era bom jogar com esse cara, ah era. Ele sempre vinha com uma torcida a favor dele, uma tal de Andreia que era sua namorada, eu com meu orgulhoso nick com escudo azul, vs o enxadrista de escudo verde provavelmente, era um jogão! E ele não gostava de perder perto da namorada, o que me ferrava mais ainda, pois era ainda mais difícil derrotá-lo, no final ficava meio que empatado nas vitórias ou empates para cada um, não me lembro mais. Infelizmente esse cara sumiu, é uma pena. Hoje ele teria bem mais dificuldade de me derrotar, eu garanto. (risos)

Outro jogador que eu me lembro bem, não era do mundo virtual, mas sim do âmago da minha própria família, no caso um antigo cunhado meu, que vivia a disputar o antigo celular do meu pai comigo, quando não era eu que estava jogando Othello no ancião celular da LG de 2004, era ele. Haja bateria! Ele era viciado mesmo em Reversi, jogava muito ali sozinho contra o próprio celular, ele deveria estar descobrindo as nuances do jogo igual a mim e na mesma época, mas, ironicamente eu nunca joguei contra ele na minha vida, sei lá o porque, afinal oportunidade não faltavam. Mas com o tempo infelizmente as coisas mudaram, e perdemos o contato com ele, era um cara legal, quem sabe um dia retorne e possamos jogar a partida tão esperada? Fica ai dica.



Ah, essa eu não poderia deixar de citar aqui, pois faz tempo que eu a conheço e jogo com ela, já jogamos em vários sites, olha um pouco da lista ai: Flyordie, PlayOk, Ludoteka, Game Twist, Buho 21, Our, Game Desire, em Smartphones e tabuleiros pessoalmente e por ai vai, eu a conheci em um outro jogo quando num lindo dia de sábado eu estava navegando na Internet, foi lá no jogo Gomoku dentro do Flyordie mesmo, ela que também não era de lá, (era do Conexão 4) me chamou a atenção, e ai estamos. Devo ter jogado umas 300 partidas ou mais com ela, ganhei e perdi um monte, mas a ensinei bastante, e num dia muito especial de 2014, ela resolveu participar do Torneio do Flyordie, e né que ela ganhou?! Pois bem, essa é minha linda aluna, Jacqueline Batista. Exímia jogadora viu, fica esperto não pá vê. (risos)


Bom pessoal, vou ficando por aqui, espero que tenham curtido a lista e o meu adendo.

É isso ai, e te a próxima.

Valeu!

Ah, e não entenderam a alusão que fiz na imagem de capa da postagem do time do Real Madrid da Espanha com  Ronaldo, Beckham e Zidane? Afinal, a lista é de brasileiros, não de espanhóis (Tá, eu sei que o Ronaldo é brasileiro e Beckham e Zidane não são espanhóis)... Mas explico, caso você não saiba nada sobre futebol ou seja muito novo para ter conhecido esse time, esse era o Time das Estrelas, igualzinho a lista que fiz. :)

Abraços


Link da postagem antiga, de 28 de Fevereiro de 2011

http://othelloclassic.blogspot.com.br/2011/02/especial-afinal-quem-sao-os-melhores.html

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Reversi, Entre Especialistas e Especiais



Olá pessoal, tudo bem com vocês?

Na minha postagem sobre a disseminação do jogo Reversi, que fiz em dezembro de 2015 eu propus a iniciativa de marketing agressivo, que na verdade já era algo praticado em todas as prefeituras do Brasil que divulgam esportes, mas eu sabia que se a coisa toda teria que fluir, seria dessa forma e não de outra, como por exemplo, a proposta de patrocínio empresarial que seria magnífica porém, pela falta de interesse de empresas que trabalham com jogos de tabuleiro ficaria inviável conseguir algum tipo de incentivo. Pois bem, ao menos com as prefeituras de Nova Odessa e toda a região, o negócio todo vingou e foi um sucesso. Então, qual a próxima etapa? Obviamente se alastrar para todo o país; já se tem uma ideia de um divulgador em Campos dos Goytacazes no Rio de Janeiro, que seria o Alamir Jr. e quem sabe até mesmo no nordeste, com Martinho Santos, lá em Penedo no Estado de Alagoas, e com o tempo teremos outros Estados participando de toda essa empreitada, isso tudo virá naturalmente, desde que haja paixão na divulgação.

Quando em abril de 2009 eu resolvi criar esse blog, meu intuito inicial era justamente querer tirar as pessoas aqui no Brasil dessa inércia desinformativa, onde permeava a ideia do Reversi online, e apenas esse sentido era interpretado por todos que jogavam o jogo, o cenário imaginativo era limitado, estreito e com poucas influências, então resolvi fazer minha parte e mostrar a todos que também havia um mundo real onde as pessoas poderiam jogar, sociabilizar e aprender mais sobre o jogo, havia um mundo de tabuleiros e pessoas reais. Mas sinceramente quando resolvi fazer trocentas postagens sobre um só assunto, o fiz por prazer e por hobby, e durante muito tempo nem sequer haviam comentários nos meus posts, e eu não ligava ao ponto de querer parar, o motor da minha construção era somente o amor que eu tinha ao jogo, e a minha vontade inerente de ensinar. Tão somente isso já era necessário.

Eu me sinto gratificado quando vira e mexe aparece alguém fazendo perguntas ou simplesmente usando alguma postagem minha para fazer algum tipo de trabalho escolar, (sim, a galera de TI gosta das minhas postagens sobre Inteligência Artificial aplicada a construção de programas de Reversi, mesmo que eu seja um completo leigo no assunto) isso pessoalmente já é um prêmio que eu aprecio muito, e como eu disse antes, faço por amor e hobby e isso já basta. Mas talvez alguém pergunte: E se você ganhasse financeiramente pelo seu trabalho no blog, você gostaria? A resposta para isso obviamente que é sim, e inclusive já até pensei nisso, mas como esse tema (Othello/Reversi) não é um tema que atrairia muita gente e, eu não gostaria de transformar o meu ritmo de postagens em uma programática, eu nem precisei de mais de 2 minutos para descartar a ideia, prefiro do jeito que está agora mesmo, gratuito e livre.

Bom, então com o surgimento do facebook com  força total aqui no Brasil, eu deixei um pouco o blog de lado e me dediquei a postar informações nos grupos do Face., era mais prático e a informação chegava a mais gente, e foi assim durante um bom tempo, até que esfriou também, vi que nem todo mundo que estava no grupo realmente participava do mesmo (Por que “participar” de um grupo onde ficam até oito meses sem ver publicações? #desinteresse) Então resolvi parar a divulgação em alguns desses grupos, me foquei no Whatsapp (droga) e eu sinceramente não imaginava que grupos de Whats poderiam ser tão fúteis para qualquer coisa que você pense, de inicio até que todos interagem bem, depois vira baderna e fogem completamente ao assunto, por isso já sai de uns dois grupos e desativei uns dois meus também, pois bem... A saga continua. Até mesmo antes do Whatsapp, eu já havia começado a fazer vídeos para o Youtube, isso lá para outubro de 2014, e o canal está lá até hoje com seus 50 vídeos! Ensinei estratégias e seus nomes, divulguei campeonatos e os expliquei, divulguei livros e até fiz três vídeos dedicados a analises de estratégias do livro de Brian Rose, e tudo isso por amor ao jogo, e de verdade, fiz porque gosto e ponto final.
Tive que escrever toda essa “bíblia” para deixar bem claro o meu posicionamento referente ao assunto, nunca ganhei dinheiro par fazer qualquer tipo de divulgação, e sinceramente não preciso, mas... Lembram daquela perguntinha lá em cima? Pois é, vou reformular ela a um contexto geral, lá vai: Você gostaria de ganhar pelo seu “trabalho”, gostaria de trabalhar com isso e viver disso? Sim, eu gostaria. Quem não gostaria de trabalhar com o que gosta? Para quem tem algum tipo de dificuldade de abstração ou até mesmo porque eu não esteja sendo claro exatamente, explico. Muita molecada, talvez não mais nos dias de hoje, mas na minha época era normal em qualquer lugar que você fosse, ver crianças e adolescentes jogando bola na rua, bola de plasticão mesmo, bola de capotão, ou bola de meia, com certeza alguns deles devem até mesmo ter tentado entrar numa escolinha, ou tentado a sorte de treinar num clube grande, passando por todos os tipos de peneiras que existiam, e com certeza somente um séquito conseguiu isso, uma quantidade pífia que em porcentagens deveria e é cerca de uns 5% dos que tentam e tentaram, mas aos que não conseguiram passar no teste, você acha mesmo que eles deixaram de gostar de jogar futebol? É claro que não! Eles gostam ainda, e muitos viraram os tais “tiozinhos das peladas de final de semana” que com certeza terá alguns exemplares ai perto de você nesse exato momento. Esportes tradicionais como Futebol, Vôlei, Basquete e Handebol por exemplo, têm boas estruturas, e consequentemente federações, e confederações que lhe representam e pagam os atletas devido ao incentivo massivo do governo e patrocínio empresarial. Mas os atletas jogam somente por dinheiro? Você realmente acha isso? Quiçá hajam mercenários no meio, aqueles que realmente jogam por dinheiro e nada mais, ainda assim a maioria esmagadora dos jogadores de qualquer esporte o fazem por paixão, que claramente por acabar se tornando o seu ganha pão, vêm com todos os probleminhas encaixotados que tem em qualquer profissão que você queira traçar, mas que mesmo assim, ainda deve ser o sonho realizado desses jogadores, pois todos trabalham com o que gostam de fazer. Lembro de uma entrevista do Oscar Schmidt, onde ele disse certa vez que se sentia gratificado, (não exatamente essa palavra) por poder fazer o que gosta e ainda ser pago por isso. O que o veterano jogador de Basquete disse, acaba por representar quase todos os esportistas do mundo em qualquer modalidade em que você possa imaginar, (também representa alguns empresários que trabalham com aquilo que gostam e etc.)  e não seria diferente para jogadores de jogos de tabuleiro também.

Qual é o jogo de tabuleiro mais famoso ao menos aqui no ocidente?

Sim, é o Xadrez. Eu gosto de usar esse jogo como exemplo de quase tudo, por ser um jogo bem sucedido em todos os quesitos que se possa imaginar, comércio, mídia, livros, artistas, filmes, desenhos animados, divulgação científica, guerra fria e em tudo mais que você possa imaginar esse jogo já botou “os pés”, então é mister falar que se tem um esporte intelectual onde existem jogadores assalariados, esse esporte seria o ápice, mas mesmo assim está longe de ter um salário justo a profissão, eu tinha lido uma entrevista com o Rafael Leitão (na época pentacampeão brasileiro, hoje é heptacampeão brasileiro de Xadrez) e reli novamente hoje, onde ele disse que o sonho de viver apenas do Xadrez aqui no Brasil era algo longe de ser alcançado pela falta de apoio do governo, no caso dele ele vivia de aulas e viagens a competições fora do Brasil, tão somente assim ele poderia alcançar alguma coisa justa, um salário justo. Então daí já temos uma breve ideia de que se é assim com o Xadrez, que não duvido estar diferente nos dias de hoje, imagina com os outros jogos? Isso tudo talvez se deva ao fato do lance de “economia”  adotada por diversas prefeituras. Em uma pesquisa recente sobre professores de Xadrez, me deparei com o pronunciamento de Luiz Antônio Leite, presidente do Clube de Xadrez de Belo Horizonte, referente a falta de apoio da prefeitura de sua cidade, onde ele disse que o problema de quem conhece o jogo, sabe jogar e ensinar o jogo de verdade é que as prefeituras em geral preferem dar o título de professor de Xadrez a quem já está na lista de pagamentos da mesma, como por exemplo um professor de matemática. Então quem acaba dando aula de Xadrez não é o cara que entende do jogo, e sim alguém que não tem intimidade alguma com o mesmo. Como disse Luiz Antônio Leite: “ Saber jogar Xadrez, não é a mesma coisa de saber ensinar Xadrez” afirma. E isso também se aplicaria a qualquer jogo que você possa imaginar, e o jogo Reversi está nessa lista. Ainda nessa mesma reportagem ele disse que teve sim uma união entre o governo do Estado de Minas Gerais, e o Clube de Xadrez de Belo Horizonte, onde promoveram um curso de 250 horas/aula e cadastrou e capacitou alguns instrutores de Xadrez, mas como as escolas ligadas a prefeitura não exigem esse curso, o curso em si acaba por se tornar algo inútil.

Então em suma, temos aqui o entrave insípido, que é a questão do apoio incompleto das prefeituras. Entendo que ao menos no caso do jogo Reversi, sem elas as coisas por aqui não teriam chegado tão cedo aonde chegou,  porém essa barreira poderia ser quebrada, pois sabemos que é quase impossível apenas um professor, bom e especialista em apenas um jogo, conhecer com o mesmo afinco todos os jogos que ministra, o correto no meu modo de ver, seria primeiramente a valorização da secretaria de esportes, evitando qualquer corte em investimentos das mesmas e se investindo mais nelas, para que tivessem meios de trabalhar com conhecedores e especialistas dos jogos e esportes ensinados. E sim, assalariando por exemplo, um professor de Xadrez que seja verdadeiramente um especialista e estudioso do jogo, não o professor de Geografia que por acaso foi convocado a dar aulas de Xadrez como uma espécie de tapa buracos. Voltando ao assunto, como eu disse acima, faço o que faço por amor ao jogo, mas se eu pudesse ganhar para fazer o que eu gosto por que não aceitaria? E em relação ao jogo Reversi, existem alguns especialistas e gente com vontade de ensinar que também aceitariam o convite numa boa. Espero que futuramente haja uma união integral entre prefeituras e FBO, para que possamos realmente ensinar de verdade e formar campeões, que para “nascerem”, precisam primeiramente gostar de verdade do jogo, (leiam minha última postagem no blog, está logo abaixo dessa) e uma vez tendo ajuda especializada, tenderão a progredirem de maneira rápida, uma união integral entre as duas entidades, governamental e lúdica formará uma “sopa pré-biótica” que germinará em algo realmente sólido. O jogo Reversi, assim como todos os jogos, são suficientes por si só, todos os jogos podem ser usados como ferramentas para algo, como por exemplo: Estimulador de experimentação lúdica, para através de um jogo específico, a pessoas acabem se interessando por outros jogos, e por todo o mundo dos jogos de tabuleiro, ou até mesmo pode ser usado para testes clínicos como já li certa vez (Usaram o jogo Reversi em um teste “anedótico” de exame e funcionamento do cérebro de crianças com a Síndrome de Déficit de Atenção, constatando que o jogo melhora a memória de trabalho dos portadores desse transtorno) ou seja, o jogo pode até ser usado para outros fins, mas se você quiser fazer algo despertar na mente de uma criança ou adulto, referente o jogo Reversi, você tem que fazê-lo sentir a essência DESSE JOGO, não apenas o usando como ponte para algo, mas como parte fundamental de um todo, jogar Reversi é bom porque é incrível, não porque é o mais fácil. Com essa mentalidade, poderemos formar verdadeiros campeões de Othello no futuro, com a junção do querer aprender e do poder ensinar, teremos maiores progressos no aspecto qualificativo, e não somente no quantitativo.

Vou ficando por aqui, e até mais.

Alguns links:

Como vive o maior enxadrista do Brasil?

http://www.elhombre.com.br/como-vive-o-maior-enxadrista-do-brasil/

Professor de Xadrez Busca Profissionalização

http://www.otempo.com.br/capa/economia/professor-de-xadrez-busca-profissionaliza%C3%A7%C3%A3o-1.297392

sábado, 11 de fevereiro de 2017

E ai, como anda a sua técnica?



E ai, como anda a sua técnica?


Já tem um tempo em que venho observando a evolução de jogadores novatos e antigos, e por mais que a grande maioria evolua, não importando se pouco ou muito, um fato é percebido: Há evolução. Porém, tem aqueles que a palavra evolução parece desaparecer gradualmente com o tempo, até não restar absolutamente nada. E é sobre estes que eu vou discorrer aqui nessa postagem, que não tem o intuito de depreciar os talentos ou a falta de tato para algum jogo específico de ninguém, mas sim, questionar se tais jogadores estão verdadeiramente “jogando” ou apenas clicando o mouse do computador, essa postagem indaga se alguns jogadores verdadeiramente gostam do jogo Reversi, e de toda a sua nuance estratégica ou se apenas não encontraram nada melhor como válvula de escape, algo para poder passar o tempo, e nada mais. Se você é um jogador que joga Reversi por jogar, e não tem interesse em aprender nada sobre o jogo, e que usa o jogo como um artifício elaborado de relaxamento, ok... É um direito seu, e ninguém tem nada a ver com isso; mas se você verdadeiramente gosta do jogo e tenta melhorar, e não consegue evoluir para um grau satisfatório, talvez essa postagem seja para você.

Como vocês já perceberam, irei me focar nos jogadores virtuais, por oferecerem maior alcance de análise, e de maior empírica. Mas antes de mais nada, vou começar falando de mim, e de como o processo de aprendizado emergiu aos poucos dentro de minha mente e de como ainda borbulha algo a cada dia. Eu conheci o jogo num celular antigo da LG, e curiosamente já o conheci com o nome patenteado Othello, coisa rara de se imaginar, pois até mesmo nos dias de hoje com toda a divulgação e emaranhado de apps para se baixar no Android e IOS, o nome mais utilizado é ainda “Reversi”, por mais que tenham alguns “Othello” os programadores preferem evitar problemas e usar o nome mais genérico, então foi algo hilário eu ter conhecido logo na primeira oportunidade o jogo com o nome mais comercializado. Pois bem, peguei o celular e na função 9, que era destinado a jogos, encontrei o único jogo que lá tinha, e com uma imagem personalizada que aparecia de um lápis vermelho (menino) e um lápis amarelo (menina), antes de começar a partida, eu não fazia ideia do que me esperava, e foi então que o jogo começou. Eu não lembro quanto tempo demorei a entender o que tinha que fazer, mas me lembro claramente que depois de jogar algumas, eu achei que o fundo da tela de jogo, onde uma das imagens que aparecia era justamente os Moinhos de Vento da Holanda, tinha algo a ver com o jogo, ideia que logo após se mostrou nonsense. Mas joguei, joguei e joguei, e cheguei à conclusão sozinho que o canto por algum motivo era importante, depois bolei estratégias para não perder o canto, e outras para tentar pegar o canto, coisa da qual fazia chiar o meu cérebro, lembro que comecei desafiando vizinhos a jogar comigo, e depois de um tempo quando vi que não evoluía e perdia costumeiramente para o celular, abandonei o jogo por uns 2 anos, e quando voltei já foi jogando no Flyordie, onde aprendi algumas técnicas, e toda hora eu ia lá na comunidade do Orkut “Othello/Reversi”, onde eu lia o que falavam sobre estratégia ou livros, além de sempre me encantar com o tabuleiro da Grow que usavam como imagem do grupo, isso tudo em 2006, 2007 e 2008, que foi quando eu imprimi toda a metade final do livro do Brian Rose e comecei a ler e a treinar, sozinho mais focado, além de estar sempre jogando, além de tentar imitar jogadas de programas, e foi assim que a coisa toda foi sendo absorvida por mim, e até hoje eu treino e jogo, e posso dizer que aprendi muito a jogar esse jogo, e ainda descubro nuances novas. Mas se engana quem acha que evolução está ligada somente em quantidade de partidas jogadas, leitura ou quantos vídeos sobre o jogo já assistiu, evolução tem um algo mais, ou... Alguns “algo a mais”, que é o ponto onde eu queria chegar.

Existe um jogador lá no Flyordie, que acredito usar dois nicks, tenho lá minhas dúvidas se são ou não a mesma pessoa, mas tendo a um grau confortável a dizer que sim, é a mesma pessoa. Então, para facilitar, desse ponto em diante, vou tratar os dois nicks como sendo oficiais a um só individuo, para não causar confusões. O jogador em pauta,  já jogou mais de 30 mil partidas com um nick e mais de 27 mil partidas com o outro nick!  O que daria mais de 57 mil partidas jogadas! Se você parar para pensar bem, é um número assustador. Porém, o nível do jogador em questão, que joga com um dos nicks desde 2006 é vergonhosamente irrisório, não há evolução alguma, além de ser uma personalidade ignara, que costuma falar palavrões na primeira oportunidade que tem; o que me leva a outra questão (não exatamente pelos palavrões, eu também falo às vezes), mas pela falta de sensibilidade com as coisas ao seu redor, que denota uma falta grave de faculdades intelectuais, que em outras palavras, é o que chamamos de “pessoa ignorante”, não há como falarmos, ao menos dentro da esfera intelectual,  que somos todos iguais, pois definitivamente, não somos. Por outro lado, há aqueles que buscam o conhecimento não exatamente jogando, mas apenas lendo e vendo vídeos sobre o lado teórico do jogo, esses eu posso chamar de pessoas inteligentes, mas estes têm ainda uma dificuldade imensurável de transportar o lado teórico para o prático, muitas vezes se perdem em conceitos que não são somente para serem falados, e sim sentidos durante o jogo, Reversi é um jogo que precisa ser sentido, você precisa ter o “timming”, ou você acabará explicando como o coração bombeia o sangue e os nomes de todas as artérias que o envolvem, quando alguém simplesmente lhe perguntar: “O que faço, estou com uma tristeza no ‘coração?’” Ou seja, você nunca entenderá a essência da coisa, e começará a enxergar e a papagaiar “tecniquês” pra lá e pra cá, sem saber colocar nada daquilo em prática, então logo concluo que não é somente esse o caminho.

Para jogar bem não basta apenas ler, ver vídeos e jogar mais de 60 mil partidas durante um longo tempo, pois existe um outro ingrediente dentro dessa história, que está intrinsecamente ligada com sua psique, não acho que seja algo que venha do lado consciente do cérebro, mas de um conjunto  que escapa a suas decisões racionais, que é o “gostar”, pois se eu pudesse escolher ser bom em um jogo, eu com certeza escolheria o Xadrez, mas eu não gosto assim tanto desse jogo, apesar de achar a história em sua volta fascinante, e ser algo realmente deslumbrante ver os grandes gênios enxadristas jogarem, mas não é a minha praia. Eu poderia escolher ser bom em Damas, mas eu nunca gostei de jogar Damas, nunca fui bom nisso, ou eu poderia escolher ser bom em Dominó, Pôker ou qualquer uma das modalidades do Baralhão (Seis! Seis!) a parte do número seis ai é o que eu ouvia quando via aqueles tiozinhos jogando por ai, não sei até hoje do que se trata, apesar de já terem me explicado há um tempo, esqueci. Mas não, eu não sei nada ou quase nada sobre esses jogos populares, mas eu queria gostar de jogar qualquer um desses, e ser bom, mas o jogo que eu gosto é o Reversi, e sendo popular ou não, lá estou eu jogando. Mas por que isso? Agora atente muito para o que eu vou escrever aqui, sabe por que eu jogo Reversi e treino Reversi e outro jogo não? Porque foi o jogo quem me escolheu, não fui eu que escolhi o jogo. Cada jogo tem suas características particulares, que atiçam algo em sua mente e o chama para a vontade de jogar ou não, quando você vê já está prezo ao jogo, e todo o mecanismo de recompensa disparada por estímulos em seu cérebro já fica acesa, então temos aqui um ingrediente importantíssimo para ser bom em qualquer jogo que você venha a jogar em sua vida, o “gostar” do jogo.

E como saber se você gosta ou não de um jogo?

Bom, quando você está jogando um determinado jogo sente alguma alteração de emoção intensa quando vence? Algo como desafio superado,  algo como mais uma etapa vencida e o sentimento de dever cumprido? Quando você vê, percebe que está a mais de uma hora jogando o mesmo jogo e fica chateado quando perde e hiper feliz quando vence? Você quer sempre saber mais sobre o jogo, seja sozinho ou lendo e vendo vídeos? (Essa última característica é um Non sequitur, ou seja, não necessariamente uma pessoa que goste muito do jogo, queira estudar algo sobre ele.) Se você tem todas ou somente algumas, mas bem vivenciadas dessas características comportamentais em relação a um jogo, é bem provável e falo com uma certa segurança, que você goste do jogo. Então uma vez que descobriste sua paixão lúdica, estará livre para o desenvolvimento natural, sem engodos ou necessidades de estímulos externos como muleta, somente absorverá o necessário para caminhar por conta própria, que é exatamente o que não acontece quando você descobre que joga determinado jogo tão somente por jogar, ou somente como método profissional ou ferramenta profissional. Nesses casos o desenvolvimento será tecido com muitos buracos na renda, com pouca destreza, e a uma velocidade pusilânime, até estacar.

O jogo e o prazer que sentimos o jogando nascem naturalmente, não decidimos exatamente gostar de algo, simplesmente gostamos e ponto final. Consequentemente o amadurecimento decorrente da prática também virá, e quando notar, estará jogando muito melhor do que estava um ano antes, ou dois anos antes e assim consecutivamente. Se realmente gosta do jogo Reversi, tenha calma e continue jogando e praticando que a técnica virá com o tempo naturalmente, mas se percebe que o jogo não se encaixa em suas preferências pessoais, e que você talvez jogue uma, duas ou nenhuma vez durante uma semana, jogando talvez umas 4 ou 5 vezes por mês, realmente você dificilmente será um bom jogador(a), e a não ser que realmente não tenha achado outro jogo melhor para jogar, ao menos entenda suas dificuldades de aprendizado no Reversi, e tente melhorar ou aceitar suas limitações. Que a propósito foi o que o jogador citado logo no início desse post, com suas mais de 57 mil partidas mal jogadas fez, aceitou que é incapaz de aprender a jogar, e rechaça com todas as forças qualquer dica que lhe dê sobre estratégia, lembro uma vez que o convidei para participar do nosso grupo no Facebook ou no Whatsapp, já não me lembro, e ele literalmente me respondeu com um belíssimo palavrão com a tecla Capslock apertada!  Oh céus... Realmente vejo que com algumas exceções, o nível de abstração racional de alguns jogadores de Reversi, é intrinsecamente ligado ao nível de empatia, educação e sociabilização do individuo (não quero aqui dizer que pessoas pouco comunicativas sejam fadadas ao fracasso nesse jogo, pois eu posso ser “caladão”, mas tenho empatia) Ao menos usando o site Flyordie como ferramenta empírica, noto que os melhores jogadores brasileiros (isso também se aplica aos estrangeiros e com as mesmas exceções, com ressalva aos programeiros, que têm uma alta pontuação e baixa empatia, pois são trapaceiros) que ali estiveram desde 2006, eram de alguma forma simpáticos, e/ou comunicativos, e a grande maioria tinham empatia e educação com os pares, em contrapartida, os piores jogadores brasileiros eram (e são) invariavelmente mal educados, falastrões e ofendem de maneira gratuita qualquer um que se aproximavam e se aproximam deles, sem falar dos que nunca respondem absolutamente nada, os que são totalmente indiferentes aos demais. Mas  atenção ao que eu vou dizer: Estou me referindo a jogadores que já entraram no automático, que jogam por jogar e são viciados em virar as bolinhas brancas em pretas e vice e versa, NÃO ME REFIRO a quem está aprendendo ou tentando aprender esse jogo há pouco tempo, um ou dois anos, e que ainda não descobriu se esse jogo é ou não a sua praia, NESSES casos os jogadores podem não jogar bem ainda, e mesmo assim serem pessoas agradabilíssimas e com um nível de educação do qual eu pessoalmente demorarei muito ainda a atingir, essas pessoas que estão aprendendo agora, dos quais eu pude conhecer, quase 100% são pessoas do qual eu tenho um bom apreço e respeito. O que é bem diferente aos jogadores com 8, 9, 10 anos ou mais de “prática” e que não aprendeu nada ainda, por alguma barreira cognitiva, que é a que eu noto quando vejo uma lista infindável de brasileiros (e portugueses) que pude analisar.

É isso pessoal, eu vou ficando por aqui, e faça essa pergunta a si mesmo: “Eu gosto mesmo de jogar Reversi, ou é apenas um passa-tempo qualquer que eu jogo?” Se sua resposta for sim, eu gosto de jogar Reversi, fique calmo(a) que a técnica irá vir com o tempo, mas se não, você não gosta tanto assim de jogar Reversi, a sua técnica poderá até vir um dia, mas isso poderá demorar muito tempo.

Obrigado e abraços a todos.

Até